"L'assenza è all'amore come il vento al fuoco: spegne il piccolo, fa avvampare il grande." (Umberto Eco)
domingo, 22 de julho de 2018
quinta-feira, 5 de julho de 2018
Estamos em casa.
Enquanto a avó organiza a biblioteca, a filha estuda filosofia e o neto, piano.
Lá fora, alguns pássaros vêm comer os restos de frutas colocados no ficus do quintal: sabiá, bem-te-vi, sanhaço... É o fim de tarde de uma quinta qualquer, um desses dias ensolarados de inverno.
A felicidade é simples... e plena.
E vive apenas nesses instantes, quando mal nos damos conta dela... quando então nos invade esse amor sem fim que improvisadamente nos transborda e dele brota essa vontade incontrolável de dizer secretamente:
obrigado!
Enquanto a avó organiza a biblioteca, a filha estuda filosofia e o neto, piano.
Lá fora, alguns pássaros vêm comer os restos de frutas colocados no ficus do quintal: sabiá, bem-te-vi, sanhaço... É o fim de tarde de uma quinta qualquer, um desses dias ensolarados de inverno.
A felicidade é simples... e plena.
E vive apenas nesses instantes, quando mal nos damos conta dela... quando então nos invade esse amor sem fim que improvisadamente nos transborda e dele brota essa vontade incontrolável de dizer secretamente:
obrigado!
domingo, 8 de abril de 2018
Um lugar para morrer
Brasil.
Imenso, lindo, rico...
Pobre Brasil.
Meu amado Brasil.
Que desalento.
Era uma vez um país.
Foi-se.
Acabou.
Não há escolha plausível entre uma esquerda populista e
corrupta e uma direita voltada para os interesses das classes mais favorecidas
e... corrupta.
Não há possibilidade de uma vida digna em um Estado no
qual todas as instituições faliram.
Não há estrutura governamental séria.
Não há Executivo em prol da Nação: há execução de
contratos que, como bem dizia Chico, continuam a “subtrair a pátria-mãe tão distraída em tenebrosas
transações”.
Não há Legislativo voltado à aprovação de leis que beneficiem
o povo: há a incessante abertura de brechas legais para viabilizar a medonha exploração
das riquezas naturais e do povo escravo.
Não há Judiciário idôneo: a balança pende para o lado que
paga melhor.
Os Três Poderes (e tudo o mais) estão subjugados ao único poder vigente:
o econômico.
Não temos nada melhor do que o capitalismo.
Não temos nada melhor do que a democracia.
E, aqui, ambos falharam.
Não há sistema milagroso que funcione, enquanto o valor
primordial que impulsionar toda e qualquer ação for a ganância.
Não há jornalismo competente: a mídia, além de igualmente
corrupta, perdeu o profissionalismo.
Todas as informações são manipuladas: não há dados
confiáveis sobre os quais se apoiar.
E o povo? Não há capacidade de análise crítica.
E a turba segue delirante de norte a sul, defendendo seus
ídolos de barro (de esquerda, de direita, de centro, não importa), sedenta
por justiça e completamente cega, digladiando-se em meio à estúpida (e
conveniente) polarização, caminhando direto para o seu cadafalso.
Nada de novo. A novela se repete desde sempre.
O único sentimento coerente ao se constatar que a esperança
na “liderança a favor dos pobres” consistiu, na verdade, em uma das maiores
decepções dos últimos anos é a vergonha. É patético festejar a prisão de um
ex-presidente, quando o sentimento mais coerente seria o de vergonha.
É patético festejar a queda do ruim a favor da manutenção do
pior.
Quanto aos poucos lúcidos que restaram, não há mais grito para a indignação.
Perdeu-se a voz e a vez.
Mais funesto que o cenário atual talvez tenha sido apenas aquele dos tempos da ditadura.
Quanto aos poucos lúcidos que restaram, não há mais grito para a indignação.
Perdeu-se a voz e a vez.
Mais funesto que o cenário atual talvez tenha sido apenas aquele dos tempos da ditadura.
Em poucos meses, os trabalhadores perderam suas
garantias, direitos trabalhistas conseguidos a duras penas; estão para perder também a
possibilidade de uma aposentadoria mínima, sob o pretexto de um rombo previdenciário
extremamente questionável. Educação (educação pra quê?), saúde e segurança caminham
a passos largos para a sua completa ruína. Empresas nacionais absolutamente
rentáveis estão sendo entregues de mão beijada... para quem? Os números adulterados
da inflação e um dos maiores arrochos salariais da história brasileira passam
batidos: o circo está montado e a fantasia em que mergulhamos é a de que "basta" prender
os corruptos! O combate à corrupção é naturalmente louvável. Mas isso não justifica a posição de ater-se apenas à ponta do iceberg e contentar-se com o "Viva! Finalmente, estamos prendendo os corruptos!", às custas de, nos bastidores, as próximas gerações serem condenadas ao retrocesso por darmos ingenuamente o poder a quem sub-repticiamente voltará a explorar vertiginosamente os menos favorecidos - esse é o verdadeiro "golpe" -, a quem sem o menor escrúpulo está colocando o
Brasil, completamente sucateado, na "OLX": a maior pechincha no mercado
internacional. E quem paga por isso? Nós, os novos BBBs: os babacas balançando bandeiras,
sejam elas verde e amarelas ou vermelhas.
A moeda é o suor e a fome.
Ah, Robespierre! Por que a sua lembrança neste momento não me assombra?
Ah,
segunda-feira, 12 de março de 2018
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
domingo, 18 de fevereiro de 2018
Forse
forse è innamorato di un'altra
forse è stanco di me
forse non sarò più attraente
forse non lo eccito più
forse l'amore è finito
forse non è mai stato amore
forse devo ammettere
che non si tratta più di "forse"
ma come il "forse" insiste ancora...
forse non è il piccolo amore degli esseri umani
forse è l'amore più grande
che elimina tutti i "forsi"
forse è stanco di me
forse non sarò più attraente
forse non lo eccito più
forse l'amore è finito
forse non è mai stato amore
forse devo ammettere
che non si tratta più di "forse"
ma come il "forse" insiste ancora...
forse non è il piccolo amore degli esseri umani
forse è l'amore più grande
che elimina tutti i "forsi"
sábado, 3 de fevereiro de 2018
sábado, 27 de janeiro de 2018
terça-feira, 19 de dezembro de 2017
Atrás da porta
(Chico Buarque e Francis Hime)
Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei
Eu te estranhei
Me debrucei
Sobre teu corpo e duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
Nos teus pelos
Teu pijama
Nos teus pés
Ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que inda sou tua
Só pra provar que inda sou tua
domingo, 26 de novembro de 2017
Pesadelo
(Nei Duclós)
Quando vier a guerra, e será breve
Veremos nosso bairro como a Síria
Fugiremos entre corpos empilhados
do quarto que perdeu quatro paredes
O barulho das balas, os pedágios
Onde o passe é tudo o que salvamos
Mais o terror de ver humanos
A criar atrocidades entre lobos
Cairão sobre nós junto ao remorso
De não termos levantado a tempo
O pesadelo é querer a paz
depois de mortos
Quando vier a guerra, e será breve
Veremos nosso bairro como a Síria
Fugiremos entre corpos empilhados
do quarto que perdeu quatro paredes
O barulho das balas, os pedágios
Onde o passe é tudo o que salvamos
Mais o terror de ver humanos
A criar atrocidades entre lobos
Cairão sobre nós junto ao remorso
De não termos levantado a tempo
O pesadelo é querer a paz
depois de mortos
(In: Palavra na pedra. Nei Duclós, 2017)
domingo, 22 de outubro de 2017
sábado, 7 de outubro de 2017
quinta-feira, 25 de maio de 2017
Se fosse só isso
(Nei Duclós)
Se fosse só isso, o detalhe de uma cena
de um certo dia, tudo na superfície
e ficássemos quites com o desejo
e assim mesmo duvidaríamos
que existisse algo mais profundo
sabendo que é impossível viver
só com o que temos e devemos contar
com o impossível, nosso sonho
Mas o fôlego exige o esforço que justifica
sua exigência, a respiração mais longa
e o corpo que se estende por enigmas
além do inverno e do outono, quando o verão
renasce sem seguir o calendário e surge
a visão do amor, essa ilusão provisória
a nos fustigar as pernas cheias de preguiça
para sair do limite imposto pelo desperdício
Não é só isso e custo a entender os gestos
Nem desconfio porque ficas, insistes
depois que todos foram embora e me pergunto
até quando vai demorar esse rodeio, a dança
das cadeiras das palavras que me cercam
vindas da tua boca, aos goles de um mergulho
até cair a ficha e eu me demorar em teus olhos
e enxergar então o que há muito estava escrito
Se fosse só isso, o detalhe de uma cena
de um certo dia, tudo na superfície
e ficássemos quites com o desejo
e assim mesmo duvidaríamos
que existisse algo mais profundo
sabendo que é impossível viver
só com o que temos e devemos contar
com o impossível, nosso sonho
Mas o fôlego exige o esforço que justifica
sua exigência, a respiração mais longa
e o corpo que se estende por enigmas
além do inverno e do outono, quando o verão
renasce sem seguir o calendário e surge
a visão do amor, essa ilusão provisória
a nos fustigar as pernas cheias de preguiça
para sair do limite imposto pelo desperdício
Não é só isso e custo a entender os gestos
Nem desconfio porque ficas, insistes
depois que todos foram embora e me pergunto
até quando vai demorar esse rodeio, a dança
das cadeiras das palavras que me cercam
vindas da tua boca, aos goles de um mergulho
até cair a ficha e eu me demorar em teus olhos
e enxergar então o que há muito estava escrito
sexta-feira, 17 de março de 2017
Cu'mme
(Roberto Murolo e Mia Martini)
Scinne cu 'mme
nfonno o mare a truva'
chillo ca nun tenimmo acca'
vieni cu mme
e accumincia a capi'
comme e' inutile sta' a suffri'
guarda stu mare
ca ci infonne e paure
sta cercanne e ce mbara'
ah comme se fa'
a da' turmiento all'anema
ca vo' vula'
si tu nun scinne a ffonne
nun o puo' sape'
no comme se fa'
adda piglia' sultanto
o mare ca ce sta'
eppoi lassa' stu core
sulo in miezz a via
saglie cu 'mme
e accumincia a canta'
insieme e note che l'aria da'
senza guarda'
tu continua a vula'
mientre o viento
ce porta la'
addo ce stanno
e parole chiu' belle
che te pigliano pe mbara'
ah comme se fa'
a da' turmiento all'anema
ca vo' vula'
si tu nun scinne a ffonne
nun o puo' sape'
no comme se fa'
adda piglia' sultanto
o mare ca ce sta'
eppoi lassa' stu core
sulo in miezz a via
ah comme se fa'
a da' turmiento all'anema
ca vo' vula'
si tu nun scinne a ffonne
nun o puo' sape'
no comme se fa'
adda piglia' sultanto
o mare ca ce sta'
eppoi lassa' stu core
sulo in miezz a via
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
Leite derramado
é chegado um estranho tempo
no novo velho mundo
reerguem-se muros inconcebíveis
náufrago do preconceito
da improvável travessia num mar
(que só não mata a sede de poder)
na areia
o pequeno corpo jaz
no seio da terra mãe de todos
o amor empedra
no seio da humanidade
o sonho se esvai
na silenciosa fonte, porém
um fio de água brilha desde sempre
a esperança nasce de uma lágrima de Deus
sábado, 29 de outubro de 2016
Abraço
(Nei Duclós)
Quero te dar um abraço modesto
do tamanho do mundo
pequeno em relação ao universo
enorme para nossos passos
Quero te dar um abraço profundo
que surpreenda as almas
apesar da idade
e que a gente morra quando se aperte
Quero te dar um abraço modesto
do tamanho do mundo
pequeno em relação ao universo
enorme para nossos passos
Quero te dar um abraço profundo
que surpreenda as almas
apesar da idade
e que a gente morra quando se aperte
(In: Outubro)
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