sexta-feira, 18 de março de 2016

Ci sono alcune urgenze... di un bacio eterno, per esempio

Baciami
Ma baciami davvero
Il tuo alito caldo mi da i brividi
Ma voglio andare oltre
Voglio sentire il soffio della tua anima attraversando le mie vene

Baciami
Con tutto ciò che sei
In modo che, in quell'istante, raggiungiamo l'eternità

segunda-feira, 14 de março de 2016

Eu sei que vou te amar

(Tom Jobim e Vinícius de Moraes)


Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida 

sábado, 20 de fevereiro de 2016

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Addio, Eco...

"L'assenza è all'amore come il vento al fuoco: spegne il piccolo, fa avvampare il grande." (Umberto Eco)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Qual è il filo che lega il primo scambio di sguardi al fuoco infinito?

domingo, 7 de fevereiro de 2016

come due stelle lontane, ci guardiamo fissi, muti...
e brilliamo ancora più forte

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Rispetto alla infinità di quel che provo per te,
l'universo è un granello di sabbia

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

domingo, 30 de agosto de 2015



ci troviamo in pensiero con un bacio 
sigillo dell'incontro delle nostre anime

sexta-feira, 17 de julho de 2015

il nostro è un tempo che non passa mai 
in esso, siamo insieme tutto il tempo 
l'attesa è solo un conteggio di secondi in fiamme

domingo, 29 de março de 2015

Segredo

(Clio Francesca Tricarico)


Não busque o segredo dos anos
       nas entrelinhas da história.

Ele está no voo dos pássaros
       quando surfam o vento.

De nada serve interpretar
       velhos pergaminhos
             nem desbravar estrelas
                    nem decifrar os mitos.

Cada medo, cada vitória,
       salvaguarda o seu casulo,
             semente inefável de anseios.

As rugas, sulcos do tempo,
       esculpem no rosto
             nossos desmandos.

Nenhuma delas traduz o fogo
       que persiste até o desfecho.
            
Como flechas,
       atravessamos séculos eternos:
             fazemos milagres,
                    superamos absurdos...

Mas nem um deus descobrirá
       a nascente de uma lágrima.


(in Nosside 2014 - Antologia del XXX Premio Mondiale di Poesia)
"O oposto da vida não é a morte: é a repetição." (Geraldo Eustáquio)

sexta-feira, 6 de março de 2015

L'amore appeso

(Michelangelo)

Al furfante del mio cielo dono occhi e sbuffi
rassegno colpi raccolti nel mio cuore
e lancio a mani i perché mai risolti.

Stranito al lamento di sguardi e passanti
mi infilo distratto tra le pieghe d'un pensiero
mi arresto e con me un sorriso.

Mi avvolgo le braccia al petto e stringo
al riparo dal freddo e dalle mie colpe
rinuncio allo svago di un pianto.

L'urlo mi parte spinto con forza
lascio il mio corpo e mi alzo al mio desto
cado a gomiti sul mio ventre.

Volli mai fare di scarno e offesa
che alla coscienza devo
il rimpianto spinsi al nascosto.

Dell'appeso amore che d'equilibrio finge
nel mezzo nascosto e coperto
trovo nel limite il mio coraggio.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

domingo, 28 de dezembro de 2014

Conto: "Perdoando Deus" | Clarice Lispector | 19/9/1970



 Escritora-Clarisse-Lispector-2Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre. Via tudo, e à toa. Pouco a pouco é que fui percebendo que estava percebendo as coisas. Minha liberdade então se intensificou um pouco mais, sem deixar de ser liberdade.
Tive então um sentimento de que nunca ouvi falar. Por puro carinho, eu me senti a mãe de Deus, que era a Terra, o mundo. Por puro carinho mesmo, sem nenhuma prepotência ou glória, sem o menor senso de superioridade ou igualdade, eu era por carinho a mãe do que existe. Soube também que se tudo isso "fosse mesmo" o que eu sentia - e não possivelmente um equívoco de sentimento - que Deus sem nenhum orgulho e nenhuma pequenez se deixaria acarinhar, e sem nenhum compromisso comigo. Ser-Lhe-ia aceitável a intimidade com que eu fazia carinho. O sentimento era novo para mim, mas muito certo, e não ocorrera antes apenas porque não tinha podido ser. Sei que se ama ao que é Deus. Com amor grave, amor solene, respeito, medo e reverência. Mas nunca tinham me falado de carinho maternal por Ele. E assim como meu carinho por um filho não o reduz, até o alarga, assim ser mãe do mundo era o meu amor apenas livre.
E foi quando quase pisei num enorme rato morto. Em menos de um segundo estava eu eriçada pelo terror de viver, em menos de um segundo estilhaçava-me toda em pânico, e controlava como podia o meu mais profundo grito. Quase correndo de medo, cega entre as pessoas, terminei no outro quarteirão encostada a um poste, cerrando violentamente os olhos, que não queriam mais ver. Mas a imagem colava-se às pálpebras: um grande rato ruivo, de cauda enorme, com os pés esmagados, e morto, quieto, ruivo. O meu medo desmesurado de ratos.
Toda trêmula, consegui continuar a viver. Toda perplexa continuei a andar, com a boca infantilizada pela surpresa. Tentei cortar a conexão entre os dois fatos: o que eu sentira minutos antes e o rato. Mas era inútil. Pelo menos a contigüidade ligava-os. Os dois fatos tinham ilogicamente um nexo. Espantava-me que um rato tivesse sido o meu contraponto. E a revolta de súbito me tomou: então não podia eu me entregar desprevenida ao amor? De que estava Deus querendo me lembrar? Não sou pessoa que precise ser lembrada de que dentro de tudo há o sangue. Não só não esqueço o sangue de dentro como eu o admiro e o quero, sou demais o sangue para esquecer o sangue, e para mim a palavra espiritual não tem sentido, e nem a palavra terrena tem sentido. Não era preciso ter jogado na minha cara tão nua um rato. Não naquele instante. Bem poderia ter sido levado em conta o pavor que desde pequena me alucina e persegue, os ratos já riram de mim, no passado do mundo os ratos já me devoraram com pressa e raiva. Então era assim?, eu andando pelo mundo sem pedir nada, sem precisar de nada, amando de puro amor inocente, e Deus a me mostrar o seu rato? A grosseria de Deus me feria e insultava-me. Deus era bruto. Andando com o coração fechado, minha decepção era tão inconsolável como só em criança fui decepcionada. Continuei andando, procurava esquecer. Mas só me ocorria a vingança. Mas que vingança poderia eu contra um Deus Todo-Poderoso, contra um Deus que até com um rato esmagado poderia me esmagar? Minha vulnerabilidade de criatura só. Na minha vontade de vingança nem ao menos eu podia encará-Lo, pois eu não sabia onde é que Ele mais estava, qual seria a coisa onde Ele mais estava e que eu, olhando com raiva essa coisa, eu O visse? no rato? naquela janela? nas pedras do chão? Em mim é que Ele não estava mais. Em mim é que eu não O via mais.
Então a vingança dos fracos me ocorreu: ah, é assim? pois então não guardarei segredo, e vou contar. Sei que é ignóbil ter entrado na intimidade de Alguém, e depois contar os segredos, mas vou contar - não conte, só por carinho não conte, guarde para você mesma as vergonhas Dele - mas vou contar, sim, vou espalhar isso que me aconteceu, dessa vez não vai ficar por isso mesmo, vou contar o que Ele fez, vou estragar a Sua reputação.
... mas quem sabe, foi porque o mundo também é rato, e eu tinha pensado que já estava pronta para o rato também. Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim. É porque só poderei ser mãe das coisas quando puder pegar um rato na mão. Sei que nunca poderei pegar num rato sem morrer de minha pior morte. Então, pois, que eu use o magnificat que entoa às cegas sobre o que não se sabe nem vê. E que eu use o formalismo que me afasta. Porque o formalismo não tem ferido a minha simplicidade, e sim o meu orgulho, pois é pelo orgulho de ter nascido que me sinto tão íntima do mundo, mas este mundo que eu ainda extraí de mim de um grito mudo. Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. Talvez eu tenha que chamar de "mundo" esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que "Deus" é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe.
  clispector assinatura

Texto publicado no Jornal do Brasil em 19/9/1970 e depois no livro "A descoberta do mundo".

Extraído da página do Instituto de Psicologia da USP: link IP.USP