segunda-feira, 30 de junho de 2014

Finito

era cheio de certezas

o melhor perfume
o pior filme
a melhor viagem
o pior café

terno impecável
carro do ano
filhos em Harvard

apenas uma dúvida lhe consumia

Quando?

sábado, 31 de maio de 2014

Presságio

Clio Francesca Tricarico

Penso em ti e emudeço
Tenho medo de errar a sílaba, o tom, o gesto
Não respiro
Medo que tua miragem se desfaça ao meu toque
Tua imagem é só um presságio
Fecho os olhos
Teus sussurros me embalam num sonho
No escuro, procuro os teus lábios e beijo o vento
A contragosto, sou expulsa da fantasia
Só não entendo o teu cheiro em minhas mãos...



(in 
Nosside 2013 - Antologia del XXIX Premio Mondiale di Poesia)

terça-feira, 11 de março de 2014

O tempo é o amor que vem e que vai
A vida é só o instante
em que o vivemos...

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

ieri...
nato un altro vuoto
di quel tipo che non si riempie mai

e la vita va avanti
e il mondo ignora
il mio silenzio


il dolore 
di non dimenticare mai 
quel che non si può più avere

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Se

(Cinema Paradiso - Ennio Morricone / Josh Groban)


Se tu fossi nei miei occhi per un giorno
Vedresti la bellezza che piena d'allegria
Io trovo dentro gli occhi tuoi
Ignaro se magia o realtà

Se tu fossi nel mio cuore per un giorno
Potreste avere un'idea
Di ciò che sento io
Quando m'abbracci forte a te
E petto a petto noi
Respiriamo insieme

Protagonista del tuo amor
Non so se sia magia o realtà

Se tu fossi nella mia anima un giorno
Sapresti cosa sento in me
Che m'innamorai
Da quell'istante insieme a te
E ciò che provo è
Solamente amore

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A menina e a chuva





O conhecimento alarga os confins do universo, 
mas só se desenvolve com o não conformismo. 
Os horizontes se abrem somente para quem não se resigna. 
Já dizia o filósofo, uma pena nos habituarmos ao mundo: 
não existe desperdício maior. 
Fechamos os olhos, quando o que temos diante de nós 
é uma infinidade de novos olhares. 
Heráclito, ainda te esquecem... 
É sempre a primeira vez, se não formos os mesmos. 
Afinal, o que é a chuva? 
Quando foi que me acostumei com ela e morri?

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Pensamos muito para alcançar o simples
esquecendo que não existe nada mais simples que sentir...

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Somos laços
Somos esse amálgama de todos com quem nos misturamos
Talvez a morte nos desfaça por misericórdia
Esquecer de si mesmo é preciso
Como suportar eternamente a saudade de tudo... 

de todos... 
de mim?

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Ano Novo



À meia-noite
aguardaremos a fênix
que nos expulsa de dentro e nos lança de novo para o voo


A cada hora
enquanto o distante globo azul fizer a sua volta alucinante
fogos sairão pela tangente gritando para o cosmo:
“Estamos aqui!”

A cada ano
a história se repete trazendo o inesperado
o homem se repete realizando o impossível
e Deus... mas é tudo ilusão!


Dentro do coração, guardamos a inefável verdade
Por isso, em silêncio, continuamos a criar estrelas...

sábado, 28 de dezembro de 2013


ciò che scrivo è solo la punta dell'iceberg 
quel che non dico è un viaggio senza ritorno 
di cui presento solo l'invito 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Só o tempo pode revelar o mistério de certos encontros, mas não vivemos o suficiente...

Então, amamos...

Tango


O conflito é o laço
O embate, rude
A fuga, impossível
Agarro firme, aconchego tenso
Sinuosa aventura corpo adentro

A cilada é o olhar
Precisão ferina
Indomável golpe
Trilha fina e fugaz
Esculpida a pico pelo salto agulha

O segredo é o mote
O jogo é falso
A luta é real
Perfeita simbiose de corpos fantoches
Sutis tentáculos de espíritos inquietos

Seria fácil escapar do truque
Não fosse tua 
a mão que me venda os olhos...

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Deixem-me ir em paz
Não tentem cristalizar a minha forma
Tudo o que fui e o que eu seria


Deixem-me viver o sonho
de alcançar os confins do mundo
pulverizando o que em mim germinou tão fértil
a semente do que chamam Humanidade


Deixem-me.
Concedam-me por fim
a liberdade de não ser

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

estupidez, ignorância e vulgaridade:
a natureza não devia permitir uma combinação destas num único ser.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Roda Viva (Chico Buarque): um palíndromo...


Festival 1967: uma das eternidades


Roda Viva
(Chico Buarque)

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

domingo, 17 de novembro de 2013

Enigma

Não tenho mais idade pra viver o passado
Meus anos são mais velhos que eu
Salvar o futuro da certeza, é preciso
É muita crueldade morrer antes de mim
Na bola de cristal, vejo a menina me acenando
Cabelos soltos, sorriso franco
No olhar, apenas o enigma anunciando um prefácio...
Errou o artífice que tentou contar a história começando pelo início
Não existe o princípio do nada
Do nada, só conhecemos o fim
E o final é o meio da charada
Pra que lado a menina sorri
Tenho medo de mergulhar nesse mar de cinzas
e revirar esqueletos abandonados
Basta um mínimo olhar
pra que, nos porões, se crie o fantasma
do que nunca existiu

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Música é a mistura inefável de sons que escapam do paraíso quando um anjo esquece a porta aberta...
La Luna è tanto bella oggi 
sembra che sei qui con me...