sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

ieri...
nato un altro vuoto
di quel tipo che non si riempie mai

e la vita va avanti
e il mondo ignora
il mio silenzio


il dolore 
di non dimenticare mai 
quel che non si può più avere

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Se

(Cinema Paradiso - Ennio Morricone / Josh Groban)


Se tu fossi nei miei occhi per un giorno
Vedresti la bellezza che piena d'allegria
Io trovo dentro gli occhi tuoi
Ignaro se magia o realtà

Se tu fossi nel mio cuore per un giorno
Potreste avere un'idea
Di ciò che sento io
Quando m'abbracci forte a te
E petto a petto noi
Respiriamo insieme

Protagonista del tuo amor
Non so se sia magia o realtà

Se tu fossi nella mia anima un giorno
Sapresti cosa sento in me
Che m'innamorai
Da quell'istante insieme a te
E ciò che provo è
Solamente amore

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A menina e a chuva





O conhecimento alarga os confins do universo, 
mas só se desenvolve com o não conformismo. 
Os horizontes se abrem somente para quem não se resigna. 
Já dizia o filósofo, uma pena nos habituarmos ao mundo: 
não existe desperdício maior. 
Fechamos os olhos, quando o que temos diante de nós 
é uma infinidade de novos olhares. 
Heráclito, ainda te esquecem... 
É sempre a primeira vez, se não formos os mesmos. 
Afinal, o que é a chuva? 
Quando foi que me acostumei com ela e morri?

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Pensamos muito para alcançar o simples
esquecendo que não existe nada mais simples que sentir...

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Somos laços
Somos esse amálgama de todos com quem nos misturamos
Talvez a morte nos desfaça por misericórdia
Esquecer de si mesmo é preciso
Como suportar eternamente a saudade de tudo... 

de todos... 
de mim?

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Ano Novo



À meia-noite
aguardaremos a fênix
que nos expulsa de dentro e nos lança de novo para o voo


A cada hora
enquanto o distante globo azul fizer a sua volta alucinante
fogos sairão pela tangente gritando para o cosmo:
“Estamos aqui!”

A cada ano
a história se repete trazendo o inesperado
o homem se repete realizando o impossível
e Deus... mas é tudo ilusão!


Dentro do coração, guardamos a inefável verdade
Por isso, em silêncio, continuamos a criar estrelas...

sábado, 28 de dezembro de 2013


ciò che scrivo è solo la punta dell'iceberg 
quel che non dico è un viaggio senza ritorno 
di cui presento solo l'invito 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Só o tempo pode revelar o mistério de certos encontros, mas não vivemos o suficiente...

Então, amamos...

Tango


O conflito é o laço
O embate, rude
A fuga, impossível
Agarro firme, aconchego tenso
Sinuosa aventura corpo adentro

A cilada é o olhar
Precisão ferina
Indomável golpe
Trilha fina e fugaz
Esculpida a pico pelo salto agulha

O segredo é o mote
O jogo é falso
A luta é real
Perfeita simbiose de corpos fantoches
Sutis tentáculos de espíritos inquietos

Seria fácil escapar do truque
Não fosse tua 
a mão que me venda os olhos...

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Deixem-me ir em paz
Não tentem cristalizar a minha forma
Tudo o que fui e o que eu seria


Deixem-me viver o sonho
de alcançar os confins do mundo
pulverizando o que em mim germinou tão fértil
a semente do que chamam Humanidade


Deixem-me.
Concedam-me por fim
a liberdade de não ser

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

estupidez, ignorância e vulgaridade:
a natureza não devia permitir uma combinação destas num único ser.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Roda Viva (Chico Buarque): um palíndromo...


Festival 1967: uma das eternidades


Roda Viva
(Chico Buarque)

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

domingo, 17 de novembro de 2013

Enigma

Não tenho mais idade pra viver o passado
Meus anos são mais velhos que eu
Salvar o futuro da certeza, é preciso
É muita crueldade morrer antes de mim
Na bola de cristal, vejo a menina me acenando
Cabelos soltos, sorriso franco
No olhar, apenas o enigma anunciando um prefácio...
Errou o artífice que tentou contar a história começando pelo início
Não existe o princípio do nada
Do nada, só conhecemos o fim
E o final é o meio da charada
Pra que lado a menina sorri
Tenho medo de mergulhar nesse mar de cinzas
e revirar esqueletos abandonados
Basta um mínimo olhar
pra que, nos porões, se crie o fantasma
do que nunca existiu

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Música é a mistura inefável de sons que escapam do paraíso quando um anjo esquece a porta aberta...
La Luna è tanto bella oggi 
sembra che sei qui con me...

domingo, 10 de novembro de 2013

sábado, 9 de novembro de 2013

O milagre da quarta-feira

Dizem que o tempo não para; não é verdade.
Alguém pode me dizer o que são as 14h30 de uma quarta-feira?
Precisamente nessa hora, o mundo estaciona.
Momento estático.
Universo suspenso.
A inércia se instala.
O ponteiro dos minutos nunca mais vai alcançar o 31.


No escritório, o funcionário se sente em meio a um imenso deserto. Céu limpo, sol escaldante. De um lado, areia; do outro, também. Nenhuma expectativa de que algo mude seu destino.

O caminhoneiro se arrasta pela estrada ansiando inutilmente o final do percurso; seu olhar se perde no horizonte de curvas e retas sem sentido. Velocidade constante. Som de motor.

Na construção, o cimento fica mais pesado, assim como o capacete. Andar acima ou abaixo, tanto faz: todo lugar é o mesmo. Parede, tijolo, andaime, tapume.

A hora do almoço já acabou no boteco. Barulho de pratos na pia. TV em qualquer canal. A mosca é a mesma de ontem; circula perdida no meio do bar. Afinal, são 14h30 de quarta.

A mesmice se agrava dentro do elevador: ninguém sobe, nem desce. Nesse horário? Pra quê?

A balconista já lixou as unhas e retocou o batom. A rádio repete a música e o café não espantou seu sono.

A sesta devia ser obrigatória às quartas-feiras.

Nada escapa desse buraco negro no meio da semana; nenhuma esperança acena para as extenuadas criaturas. Bem dizia a tirinha do Snoopy no fatídico dia: “Senhor, deixe-me morrer.” Não está especificado na tira, mas não resta dúvida que nesse exato momento eram 14h30.

Imagino os escravos do tempo, fazendo um esforço enorme nessa hora, para fazer a grande roda mover mais um segundo... um só! Pobres seres esgotados pelos séculos, que seriam bem mais leves, não fosse quarta, 14h30.

Enfim, dela ninguém escapa.

Mas eis que acontece o inexplicável: miraculosamente, depois de uma eternidade, quando menos se espera, não são mais 14h30. Passou-se um minuto, talvez dois! Com sorte, cinco!!! E então as pessoas voltam lentamente a acreditar na vida... Voltam a acreditar que as 15h00 chegarão... e que, assim como na última semana, o sábado e o domingo também chegarão!

E não se sabe bem, se por conta de tanta fé ou se por piedade divina, o universo se põe a girar. Ao menos até a próxima quarta-feira...

sábado, 19 de outubro de 2013

Vinícius cem anos... Vinícius eterno...



"Meu tempo é quando"
(Poética - Nova Iorque - 1966)



Eu sei que vou te amar / Soneto de Fidelidade




Eu sei que vou te amar

Eu sei que vou te amar

Por toda a minha vida, eu vou te amar
Em cada despedida, eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar

E cada verso meu será
Pra te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua, eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta tua ausência me causou

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida



Soneto de fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure