sábado, 19 de outubro de 2013

Vinícius cem anos... Vinícius eterno...



"Meu tempo é quando"
(Poética - Nova Iorque - 1966)



Eu sei que vou te amar / Soneto de Fidelidade




Eu sei que vou te amar

Eu sei que vou te amar

Por toda a minha vida, eu vou te amar
Em cada despedida, eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar

E cada verso meu será
Pra te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua, eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta tua ausência me causou

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida



Soneto de fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

i nostri pensieri non resistono
si incontrano in segreto tutto il tempo...

sábado, 10 de agosto de 2013

É preciso fincar esse punhal no tempo
antes que ele vire a página
de mais um ano sem volta

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Só Tinha De Ser Com Você

(Tom Jobim & Elis Regina)

Para ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=-tnilh5_Mas

Tom Jobim e Elis Regina - 1974 - Foto de Fernando Duarte
É,
Só eu sei
Quanto amor
Eu guardei
Sem saber
Que era só
Pra você.

É, só tinha de ser com você,
Havia de ser pra você,
Senão era mais uma dor,
Senão não seria o amor,
Aquele que a gente não vê,
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você.
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você.

É, você que é feito de azul,
Me deixa morar nesse azul,
Me deixa encontrar minha paz,
Você que é bonito demais,
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.

É, você que é feito de azul,
Me deixa morar nesse azul,
Me deixa encontrar minha paz,
Você que é bonito demais,
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.
Eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.
Eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.
Eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

L'ultimo addio non è stato detto
L'ultimo sguardo supplicava: ancora no
Le nostre mani sono state separate
contro la volontà di entrambi

Perdono.
Ho ripetuto mille volte
mentre tu sembravi dormire

Di niente ha servito il mio immenso no.
Inutile.
L'ora, l'unica definitiva, era quella.

Dieci anni fa, pà
dieci anni...

Ti amo.
Ripeterò per sempre...



***



O último adeus não foi dito
O último olhar suplicava: ainda não
Nossas mãos foram separadas
contra a vontade de ambos

Perdão.
Repeti mil vezes
enquanto você parecia dormir

De nada serviu o meu imenso não.
Inútil.
A hora, a única definitiva, era aquela.

Faz dez anos, pà
dez anos...

Eu te amo. 

Repetirei para sempre...

quel momento in cui non sappiamo
qual è la tua pelle
qual è la mia...

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Nasci nessa cidade, nesse bairro
A cada dia, mais barulho
Menos vizinhos, menos pipas
Só a madrugada me salva:
Ainda posso ouvir o trem ao longe
É meu cheiro no travesseiro...
se per un attimo io ti dimenticassi?
avrei bisogno di reinventare il mio mondo...
Não, eu não li... não vi
Não sei do que falam os eruditos
A mim, coube apenas sentir o cheiro de cada manhã 

e mudar o leme do dia...
É preciso estar ali a regar ervas daninhas
já que são todo o alimento que nos resta
quando abrimos mão do último sentimento:
a fé no olhar diante do espelho

Estamos cansados

(Nei Duclós)

Estamos cansados
dos papos nos bares
dos encontros sem graça
das confissões em voz baixa
dos cumprimentos adequados
dos sorrisos forçados
da nossa cidade
das mesmas praças

Em grupo olhamos para todos os lados
para não nos enfrentar de cara

Esperamos com a boca amarga
a doce explosão dos ares
a vinda esperada do rei
o assassinato
o definitivo fim da farsa

Sou culpado pois não finco tua carne
com agulhas de fino aço
nem te arranco um filho
nem tento suicídio
nem faço um carnaval de fogo

O silêncio
cheio de tédio e segredo
sopra diariamente
e nos seca a garganta

(Do livro Outubro, 1975)

domingo, 28 de julho de 2013

Escrever é abrir um corte na carne e expor entranhas...
A palavra sangra e não se estanca
Jorra até o fim
E quando acaba, não morre
Mata.

sábado, 27 de julho de 2013

so quando sparisci:
apro la finestra
ed il mondo è solo silenzio e ombra

domingo, 21 de julho de 2013

A obsessão de Adão

(título emprestado da bela obra de Enzo Truppo)

L’Ossessione Di Adamo (Enzo Truppo)

Tormento
labirinto espiral 
dúvida proibida
fome insaciável
carne viva

Ímpeto
sopro fecundo
semente vermelha
mordida fatal
abissal mergulho 

Luz
desejo divino
pulso exposto
verbo impune
humano vício

segunda-feira, 15 de julho de 2013