sábado, 10 de agosto de 2013

É preciso fincar esse punhal no tempo
antes que ele vire a página
de mais um ano sem volta

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Só Tinha De Ser Com Você

(Tom Jobim & Elis Regina)

Para ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=-tnilh5_Mas

Tom Jobim e Elis Regina - 1974 - Foto de Fernando Duarte
É,
Só eu sei
Quanto amor
Eu guardei
Sem saber
Que era só
Pra você.

É, só tinha de ser com você,
Havia de ser pra você,
Senão era mais uma dor,
Senão não seria o amor,
Aquele que a gente não vê,
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você.
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você.

É, você que é feito de azul,
Me deixa morar nesse azul,
Me deixa encontrar minha paz,
Você que é bonito demais,
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.

É, você que é feito de azul,
Me deixa morar nesse azul,
Me deixa encontrar minha paz,
Você que é bonito demais,
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.
Eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.
Eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.
Eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

L'ultimo addio non è stato detto
L'ultimo sguardo supplicava: ancora no
Le nostre mani sono state separate
contro la volontà di entrambi

Perdono.
Ho ripetuto mille volte
mentre tu sembravi dormire

Di niente ha servito il mio immenso no.
Inutile.
L'ora, l'unica definitiva, era quella.

Dieci anni fa, pà
dieci anni...

Ti amo.
Ripeterò per sempre...



***



O último adeus não foi dito
O último olhar suplicava: ainda não
Nossas mãos foram separadas
contra a vontade de ambos

Perdão.
Repeti mil vezes
enquanto você parecia dormir

De nada serviu o meu imenso não.
Inútil.
A hora, a única definitiva, era aquela.

Faz dez anos, pà
dez anos...

Eu te amo. 

Repetirei para sempre...

quel momento in cui non sappiamo
qual è la tua pelle
qual è la mia...

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Nasci nessa cidade, nesse bairro
A cada dia, mais barulho
Menos vizinhos, menos pipas
Só a madrugada me salva:
Ainda posso ouvir o trem ao longe
É meu cheiro no travesseiro...
se per un attimo io ti dimenticassi?
avrei bisogno di reinventare il mio mondo...
Não, eu não li... não vi
Não sei do que falam os eruditos
A mim, coube apenas sentir o cheiro de cada manhã 

e mudar o leme do dia...
É preciso estar ali a regar ervas daninhas
já que são todo o alimento que nos resta
quando abrimos mão do último sentimento:
a fé no olhar diante do espelho

Estamos cansados

(Nei Duclós)

Estamos cansados
dos papos nos bares
dos encontros sem graça
das confissões em voz baixa
dos cumprimentos adequados
dos sorrisos forçados
da nossa cidade
das mesmas praças

Em grupo olhamos para todos os lados
para não nos enfrentar de cara

Esperamos com a boca amarga
a doce explosão dos ares
a vinda esperada do rei
o assassinato
o definitivo fim da farsa

Sou culpado pois não finco tua carne
com agulhas de fino aço
nem te arranco um filho
nem tento suicídio
nem faço um carnaval de fogo

O silêncio
cheio de tédio e segredo
sopra diariamente
e nos seca a garganta

(Do livro Outubro, 1975)

domingo, 28 de julho de 2013

Escrever é abrir um corte na carne e expor entranhas...
A palavra sangra e não se estanca
Jorra até o fim
E quando acaba, não morre
Mata.

sábado, 27 de julho de 2013

so quando sparisci:
apro la finestra
ed il mondo è solo silenzio e ombra

domingo, 21 de julho de 2013

A obsessão de Adão

(título emprestado da bela obra de Enzo Truppo)

L’Ossessione Di Adamo (Enzo Truppo)

Tormento
labirinto espiral 
dúvida proibida
fome insaciável
carne viva

Ímpeto
sopro fecundo
semente vermelha
mordida fatal
abissal mergulho 

Luz
desejo divino
pulso exposto
verbo impune
humano vício

segunda-feira, 15 de julho de 2013

quinta-feira, 11 de julho de 2013

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Inteligência me dá tesão.
Raciocínio ágil e com complexidade de ideias é orgástico.
Se agregar beleza artística então...
orgasmos múltiplos
em ondas
siderais...

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Busco a palavra que inventa este dia pra que ele exista
enquanto, de qualquer maneira, ele se impõe assim
sem sentido...

sexta-feira, 28 de junho de 2013

invento esse amor todo dia
às vezes, cansa e desisto
então, morro um pouco
e aos poucos
morro um dia
"Quase foi-se o dia e nem lembrei que estavas longe. 
Levaste a luz contigo, memória viva.
O mundo recuperou o tom cinza do tempo
em que não te conhecia."
(Nei Duclós)

segunda-feira, 24 de junho de 2013

S’amor non è

(Se amor não é - tradução abaixo)

Francesco Petrarca

S' amor non è, che dunque è quel ch' io sento?
Ma s'egli è amor, per Dio, che cosa e quale?
Se buona, ond è effetto aspro mortale?
Se ria, ond' è si dolce ogni tormento?

S'a mia voglia ardo, ond' è 'I pianto e 'I lamento?
S'a mal mio grado, il lamentar che vale?
O viva morte, o dilettoso male,
Come puoi tanto in me s'io nol consento?

E s'io 'I consento, a gran torto mi doglio.
Fra sì contrari venti, in frale barca
Mi trovo in alto mar, senza governo,

Sí lieve di saber, d'error sí carca,
Ch' i i' medesmo non so quel ch' io mi voglio,
E tremo a mèzza state, ardendo il verno



Se amor não é qual é este sentimento?
Mas se é amor, por Deus, que cousa é a tal?
Se boa por que tem ação mortal?
Se má por que é tão doce o seu tormento?

Se eu ardo por querer por que o lamento?
Se sem querer o lamentar que val?
Ó viva morte, ó deleitoso mal,
Tanto podes sem meu consentimento.

E se eu consinto sem razão pranteio.
A tão contrário vento em frágil barca,
Eu vou para o alto mar e sem governo.

É tão grave de error, de ciência é parca
Que eu mesmo não sei bem o que eu anseio
E tremo em pleno estio e ardo no inverno.

(Tradução de Jamil Almansur Haddad)

domingo, 16 de junho de 2013

Arena de vidro

Imagem retirada do site http://www.brasildefato.com.br

Os heróis se insurgem sem líder
Entrelaçados por fios invisíveis
Desentocam velhos leões
Que, famintos, apresentam suas garras

Cicatrizes antigas se abrem
Nas ruas de sangue da história
Se erguem barricadas de flores
Contra os domadores da plebe

Vivem eles ainda no outrora
Antes mesmo da bateção de panelas
Quando o exílio era a misericórdia

Esquecem que os olhos de agora
Se espalham além dos confins
Das paredes de vidro da arena