"Quando vamos embora, todo nosso acervo, o que vimos, ouvimos e lemos, se esfarela. Seus pedaços grudam no teto do Tempo. São como gotas de mel que o fim do arco-íris libera ao sacudir o pote." (Nei Duclós)
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
As sem-razões do amor
(Carlos Drummond de Andrade)
Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
domingo, 29 de julho de 2012
Trégua
Quando o olhar atinge o alvo,
melhor não ver?
Quando o menor ruído assusta o mundo,
melhor calar?
Quando o mais discreto gesto perturba o sono,
melhor parar?
Quando o longínquo aceno rouba a cena,
melhor sumir?
Melhor ouvir
o coração calado em prece
Melhor sentir
a lâmina que corta a noite
Melhor deixar
o tempo tomar seu rumo
Melhor saber
a hora de baixar as velas
E esperar.
Às vezes, ceder é tomar fôlego
às vezes, é preciso ficar à deriva
às vezes, lutar é desatino
Às vezes...
mas, só às vezes,
é melhor fazer de conta
que a gente deixa pra lá
melhor não ver?
Quando o menor ruído assusta o mundo,
melhor calar?
Quando o mais discreto gesto perturba o sono,
melhor parar?
Quando o longínquo aceno rouba a cena,
melhor sumir?
Melhor ouvir
o coração calado em prece
Melhor sentir
a lâmina que corta a noite
Melhor deixar
o tempo tomar seu rumo
Melhor saber
a hora de baixar as velas
E esperar.
Às vezes, ceder é tomar fôlego
às vezes, é preciso ficar à deriva
às vezes, lutar é desatino
Às vezes...
mas, só às vezes,
é melhor fazer de conta
que a gente deixa pra lá
quinta-feira, 26 de julho de 2012
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Insone
Cabeça no travesseiro: inútil
o sono ignora os olhos cansados
contagem regressiva pro infinito
vazio rasgado por escombros
Hora que não passa: pesadelo
hora de lembrar o que o dia não deixa
hora de esquecer o que a noite desperta
hora de rezar pra que o mundo acabe
Mas a vigília não desiste: insiste
O relógio rege o metrônomo austero
como a aporia que martela a ideia
como a tua imagem que não perdoa...
terça-feira, 24 de julho de 2012
sexta-feira, 20 de julho de 2012
quarta-feira, 18 de julho de 2012
segunda-feira, 16 de julho de 2012
![]() |
| Obra de Pino Daeni |
Saudade
acervo de esperas
O vento leva o cheiro
e traz o anseio
A noite pede o aconchego
que não veio
O tempo para no sonho
pra tomar fôlego
Mergulha no esquecimento
pra voltar límpido à tona
(sem nenhum remorso
por ser ingênuo)
Na aurora
silêncio
As águas na superfície
estão calmas
Mas submerso
o amor
espera o tempo
sábado, 14 de julho de 2012
domingo, 8 de julho de 2012
sábado, 7 de julho de 2012
sexta-feira, 6 de julho de 2012
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