Finalmente vedo l'acrostico della nostra storia...
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
domingo, 18 de fevereiro de 2018
Forse
forse è innamorato di un'altra
forse è stanco di me
forse non sarò più attraente
forse non lo eccito più
forse l'amore è finito
forse non è mai stato amore
forse devo ammettere
che non si tratta più di "forse"
ma come il "forse" insiste ancora...
forse non è il piccolo amore degli esseri umani
forse è l'amore più grande
che elimina tutti i "forsi"
forse è stanco di me
forse non sarò più attraente
forse non lo eccito più
forse l'amore è finito
forse non è mai stato amore
forse devo ammettere
che non si tratta più di "forse"
ma come il "forse" insiste ancora...
forse non è il piccolo amore degli esseri umani
forse è l'amore più grande
che elimina tutti i "forsi"
sábado, 3 de fevereiro de 2018
sábado, 27 de janeiro de 2018
terça-feira, 19 de dezembro de 2017
Atrás da porta
(Chico Buarque e Francis Hime)
Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei
Eu te estranhei
Me debrucei
Sobre teu corpo e duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
Nos teus pelos
Teu pijama
Nos teus pés
Ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que inda sou tua
Só pra provar que inda sou tua
domingo, 26 de novembro de 2017
Pesadelo
(Nei Duclós)
Quando vier a guerra, e será breve
Veremos nosso bairro como a Síria
Fugiremos entre corpos empilhados
do quarto que perdeu quatro paredes
O barulho das balas, os pedágios
Onde o passe é tudo o que salvamos
Mais o terror de ver humanos
A criar atrocidades entre lobos
Cairão sobre nós junto ao remorso
De não termos levantado a tempo
O pesadelo é querer a paz
depois de mortos
Quando vier a guerra, e será breve
Veremos nosso bairro como a Síria
Fugiremos entre corpos empilhados
do quarto que perdeu quatro paredes
O barulho das balas, os pedágios
Onde o passe é tudo o que salvamos
Mais o terror de ver humanos
A criar atrocidades entre lobos
Cairão sobre nós junto ao remorso
De não termos levantado a tempo
O pesadelo é querer a paz
depois de mortos
(In: Palavra na pedra. Nei Duclós, 2017)
domingo, 22 de outubro de 2017
sábado, 7 de outubro de 2017
quinta-feira, 25 de maio de 2017
Se fosse só isso
(Nei Duclós)
Se fosse só isso, o detalhe de uma cena
de um certo dia, tudo na superfície
e ficássemos quites com o desejo
e assim mesmo duvidaríamos
que existisse algo mais profundo
sabendo que é impossível viver
só com o que temos e devemos contar
com o impossível, nosso sonho
Mas o fôlego exige o esforço que justifica
sua exigência, a respiração mais longa
e o corpo que se estende por enigmas
além do inverno e do outono, quando o verão
renasce sem seguir o calendário e surge
a visão do amor, essa ilusão provisória
a nos fustigar as pernas cheias de preguiça
para sair do limite imposto pelo desperdício
Não é só isso e custo a entender os gestos
Nem desconfio porque ficas, insistes
depois que todos foram embora e me pergunto
até quando vai demorar esse rodeio, a dança
das cadeiras das palavras que me cercam
vindas da tua boca, aos goles de um mergulho
até cair a ficha e eu me demorar em teus olhos
e enxergar então o que há muito estava escrito
Se fosse só isso, o detalhe de uma cena
de um certo dia, tudo na superfície
e ficássemos quites com o desejo
e assim mesmo duvidaríamos
que existisse algo mais profundo
sabendo que é impossível viver
só com o que temos e devemos contar
com o impossível, nosso sonho
Mas o fôlego exige o esforço que justifica
sua exigência, a respiração mais longa
e o corpo que se estende por enigmas
além do inverno e do outono, quando o verão
renasce sem seguir o calendário e surge
a visão do amor, essa ilusão provisória
a nos fustigar as pernas cheias de preguiça
para sair do limite imposto pelo desperdício
Não é só isso e custo a entender os gestos
Nem desconfio porque ficas, insistes
depois que todos foram embora e me pergunto
até quando vai demorar esse rodeio, a dança
das cadeiras das palavras que me cercam
vindas da tua boca, aos goles de um mergulho
até cair a ficha e eu me demorar em teus olhos
e enxergar então o que há muito estava escrito
sexta-feira, 17 de março de 2017
Cu'mme
(Roberto Murolo e Mia Martini)
Scinne cu 'mme
nfonno o mare a truva'
chillo ca nun tenimmo acca'
vieni cu mme
e accumincia a capi'
comme e' inutile sta' a suffri'
guarda stu mare
ca ci infonne e paure
sta cercanne e ce mbara'
ah comme se fa'
a da' turmiento all'anema
ca vo' vula'
si tu nun scinne a ffonne
nun o puo' sape'
no comme se fa'
adda piglia' sultanto
o mare ca ce sta'
eppoi lassa' stu core
sulo in miezz a via
saglie cu 'mme
e accumincia a canta'
insieme e note che l'aria da'
senza guarda'
tu continua a vula'
mientre o viento
ce porta la'
addo ce stanno
e parole chiu' belle
che te pigliano pe mbara'
ah comme se fa'
a da' turmiento all'anema
ca vo' vula'
si tu nun scinne a ffonne
nun o puo' sape'
no comme se fa'
adda piglia' sultanto
o mare ca ce sta'
eppoi lassa' stu core
sulo in miezz a via
ah comme se fa'
a da' turmiento all'anema
ca vo' vula'
si tu nun scinne a ffonne
nun o puo' sape'
no comme se fa'
adda piglia' sultanto
o mare ca ce sta'
eppoi lassa' stu core
sulo in miezz a via
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
Leite derramado
é chegado um estranho tempo
no novo velho mundo
reerguem-se muros inconcebíveis
náufrago do preconceito
da improvável travessia num mar
(que só não mata a sede de poder)
na areia
o pequeno corpo jaz
no seio da terra mãe de todos
o amor empedra
no seio da humanidade
o sonho se esvai
na silenciosa fonte, porém
um fio de água brilha desde sempre
a esperança nasce de uma lágrima de Deus
sábado, 29 de outubro de 2016
Abraço
(Nei Duclós)
Quero te dar um abraço modesto
do tamanho do mundo
pequeno em relação ao universo
enorme para nossos passos
Quero te dar um abraço profundo
que surpreenda as almas
apesar da idade
e que a gente morra quando se aperte
Quero te dar um abraço modesto
do tamanho do mundo
pequeno em relação ao universo
enorme para nossos passos
Quero te dar um abraço profundo
que surpreenda as almas
apesar da idade
e que a gente morra quando se aperte
(In: Outubro)
sexta-feira, 29 de julho de 2016
Cansaço
Não sei quando chegou este tempo...
Há um cansaço
Inesgotável
Quinquilharias de toda espécie me solicitam
É com profundo esforço que, para atendê-las, me arrasto
Estranho a insistência do dia
Em eclodir-se intempestivamente
De novo e de novo e de novo
O verde que morre e brota
O pássaro que anuncia o sol
Tudo tão efêmero
Tão real
Impassível apenas esta exaustão
A cada dia, uma queda de braço
Tenho vencido
Tenho morrido
Maravilhoso e eterno mistério
A mesma vida que faz bailar as estrelas
Pulsa neste capim
E eu?
Rebelo-me contra moinhos de vento
Que me roubam a única verdade
Estes minutos – estes aqui – e nada mais
Há um cansaço
Inesgotável
Quinquilharias de toda espécie me solicitam
É com profundo esforço que, para atendê-las, me arrasto
Estranho a insistência do dia
Em eclodir-se intempestivamente
De novo e de novo e de novo
O verde que morre e brota
O pássaro que anuncia o sol
Tudo tão efêmero
Tão real
Impassível apenas esta exaustão
A cada dia, uma queda de braço
Tenho vencido
Tenho morrido
Maravilhoso e eterno mistério
A mesma vida que faz bailar as estrelas
Pulsa neste capim
E eu?
Rebelo-me contra moinhos de vento
Que me roubam a única verdade
Estes minutos – estes aqui – e nada mais
sexta-feira, 22 de julho de 2016
domingo, 8 de maio de 2016
Invisível
Clio Francesca Tricarico
ela revirava o lixo
a vergonha era minha
ofereci-lhe um pastel
existe miséria maior
que sentir compaixão?
foi rapidamente servida
o embaraço era do pasteleiro
mas...
era ali
ali mesmo
que ela devorava com os
olhos
e comia com timidez
não tinha bons “modos”
só tinha o seu
meu olhar evitava seu
rosto
o asco era meu
de mim
certos instantes não
passam
ela foi embora
não agradeceu
não devia
a conta era minha
de resto, nada
nenhuma poesia
apenas estas pequenas letras
minúsculas como eu
pelo que vi ali
ali mesmo
em seu último olhar
inevitável
(in Nosside 2015 - Antologia del XXXI Premio Mondiale di Poesia)
(in Nosside 2015 - Antologia del XXXI Premio Mondiale di Poesia)
sexta-feira, 18 de março de 2016
Ci sono alcune urgenze... di un bacio eterno, per esempio
Baciami
Ma baciami davvero
Il tuo alito caldo mi da i brividi
Ma voglio andare oltre
Voglio sentire il soffio della tua anima attraversando le mie vene
Baciami
Con tutto ciò che sei
In modo che, in quell'istante, raggiungiamo l'eternità
Ma baciami davvero
Il tuo alito caldo mi da i brividi
Ma voglio andare oltre
Voglio sentire il soffio della tua anima attraversando le mie vene
Baciami
Con tutto ciò che sei
In modo che, in quell'istante, raggiungiamo l'eternità
segunda-feira, 14 de março de 2016
Eu sei que vou te amar
(Tom Jobim e Vinícius de Moraes)
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Addio, Eco...
"L'assenza è all'amore come il vento al fuoco: spegne il piccolo, fa avvampare il grande." (Umberto Eco)
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
domingo, 7 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
domingo, 30 de agosto de 2015
sexta-feira, 17 de julho de 2015
domingo, 14 de junho de 2015
domingo, 29 de março de 2015
Segredo
(Clio Francesca Tricarico)
(in Nosside 2014 - Antologia del XXX Premio Mondiale di Poesia)
Não busque o segredo dos anos
nas
entrelinhas da história.
Ele está no voo dos pássaros
quando
surfam o vento.
De nada serve interpretar
velhos
pergaminhos
nem
desbravar estrelas
nem
decifrar os mitos.
Cada medo, cada vitória,
salvaguarda
o seu casulo,
semente
inefável de anseios.
As rugas, sulcos do tempo,
esculpem
no rosto
nossos
desmandos.
Nenhuma delas traduz o fogo
que
persiste até o desfecho.
Como flechas,
atravessamos
séculos eternos:
fazemos
milagres,
superamos
absurdos...
Mas nem um deus descobrirá
a
nascente de uma lágrima.
(in Nosside 2014 - Antologia del XXX Premio Mondiale di Poesia)
sexta-feira, 6 de março de 2015
L'amore appeso
(Michelangelo)
Al furfante del mio cielo dono occhi e sbuffi
rassegno colpi raccolti nel mio cuore
e lancio a mani i perché mai risolti.
Stranito al lamento di sguardi e passanti
mi infilo distratto tra le pieghe d'un pensiero
mi arresto e con me un sorriso.
Mi avvolgo le braccia al petto e stringo
al riparo dal freddo e dalle mie colpe
rinuncio allo svago di un pianto.
L'urlo mi parte spinto con forza
lascio il mio corpo e mi alzo al mio desto
cado a gomiti sul mio ventre.
Volli mai fare di scarno e offesa
che alla coscienza devo
il rimpianto spinsi al nascosto.
Dell'appeso amore che d'equilibrio finge
nel mezzo nascosto e coperto
trovo nel limite il mio coraggio.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
domingo, 28 de dezembro de 2014
Conto: "Perdoando Deus" | Clarice Lispector | 19/9/1970
Tive então um sentimento de que nunca ouvi falar. Por puro carinho, eu me senti a mãe de Deus, que era a Terra, o mundo. Por puro carinho mesmo, sem nenhuma prepotência ou glória, sem o menor senso de superioridade ou igualdade, eu era por carinho a mãe do que existe. Soube também que se tudo isso "fosse mesmo" o que eu sentia - e não possivelmente um equívoco de sentimento - que Deus sem nenhum orgulho e nenhuma pequenez se deixaria acarinhar, e sem nenhum compromisso comigo. Ser-Lhe-ia aceitável a intimidade com que eu fazia carinho. O sentimento era novo para mim, mas muito certo, e não ocorrera antes apenas porque não tinha podido ser. Sei que se ama ao que é Deus. Com amor grave, amor solene, respeito, medo e reverência. Mas nunca tinham me falado de carinho maternal por Ele. E assim como meu carinho por um filho não o reduz, até o alarga, assim ser mãe do mundo era o meu amor apenas livre.
E foi quando quase pisei num enorme rato morto. Em menos de um segundo estava eu eriçada pelo terror de viver, em menos de um segundo estilhaçava-me toda em pânico, e controlava como podia o meu mais profundo grito. Quase correndo de medo, cega entre as pessoas, terminei no outro quarteirão encostada a um poste, cerrando violentamente os olhos, que não queriam mais ver. Mas a imagem colava-se às pálpebras: um grande rato ruivo, de cauda enorme, com os pés esmagados, e morto, quieto, ruivo. O meu medo desmesurado de ratos.
Toda trêmula, consegui continuar a viver. Toda perplexa continuei a andar, com a boca infantilizada pela surpresa. Tentei cortar a conexão entre os dois fatos: o que eu sentira minutos antes e o rato. Mas era inútil. Pelo menos a contigüidade ligava-os. Os dois fatos tinham ilogicamente um nexo. Espantava-me que um rato tivesse sido o meu contraponto. E a revolta de súbito me tomou: então não podia eu me entregar desprevenida ao amor? De que estava Deus querendo me lembrar? Não sou pessoa que precise ser lembrada de que dentro de tudo há o sangue. Não só não esqueço o sangue de dentro como eu o admiro e o quero, sou demais o sangue para esquecer o sangue, e para mim a palavra espiritual não tem sentido, e nem a palavra terrena tem sentido. Não era preciso ter jogado na minha cara tão nua um rato. Não naquele instante. Bem poderia ter sido levado em conta o pavor que desde pequena me alucina e persegue, os ratos já riram de mim, no passado do mundo os ratos já me devoraram com pressa e raiva. Então era assim?, eu andando pelo mundo sem pedir nada, sem precisar de nada, amando de puro amor inocente, e Deus a me mostrar o seu rato? A grosseria de Deus me feria e insultava-me. Deus era bruto. Andando com o coração fechado, minha decepção era tão inconsolável como só em criança fui decepcionada. Continuei andando, procurava esquecer. Mas só me ocorria a vingança. Mas que vingança poderia eu contra um Deus Todo-Poderoso, contra um Deus que até com um rato esmagado poderia me esmagar? Minha vulnerabilidade de criatura só. Na minha vontade de vingança nem ao menos eu podia encará-Lo, pois eu não sabia onde é que Ele mais estava, qual seria a coisa onde Ele mais estava e que eu, olhando com raiva essa coisa, eu O visse? no rato? naquela janela? nas pedras do chão? Em mim é que Ele não estava mais. Em mim é que eu não O via mais.
Então a vingança dos fracos me ocorreu: ah, é assim? pois então não guardarei segredo, e vou contar. Sei que é ignóbil ter entrado na intimidade de Alguém, e depois contar os segredos, mas vou contar - não conte, só por carinho não conte, guarde para você mesma as vergonhas Dele - mas vou contar, sim, vou espalhar isso que me aconteceu, dessa vez não vai ficar por isso mesmo, vou contar o que Ele fez, vou estragar a Sua reputação.
... mas quem sabe, foi porque o mundo também é rato, e eu tinha pensado que já estava pronta para o rato também. Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim. É porque só poderei ser mãe das coisas quando puder pegar um rato na mão. Sei que nunca poderei pegar num rato sem morrer de minha pior morte. Então, pois, que eu use o magnificat que entoa às cegas sobre o que não se sabe nem vê. E que eu use o formalismo que me afasta. Porque o formalismo não tem ferido a minha simplicidade, e sim o meu orgulho, pois é pelo orgulho de ter nascido que me sinto tão íntima do mundo, mas este mundo que eu ainda extraí de mim de um grito mudo. Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. Talvez eu tenha que chamar de "mundo" esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que "Deus" é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe.
Texto publicado no Jornal do Brasil em 19/9/1970 e depois no livro "A descoberta do mundo".
Extraído da página do Instituto de Psicologia da USP: link IP.USP
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Hors concours
Mas... E depois? Morremos
Restará a palavra por dizer
Subvertendo princípios, análises, tratados
Restará somente a poesia
Mostrando a nossa cara deslavada
“O frio na barriga”, “o coração na mão”
“O arrepio na espinha”, “o grito na garganta”
“O aperto no peito”
Fórmulas ultrapassadas
Tudo em vão, nada nos salvará
Imbatível, persistirá apenas uma invenção sem sentido:
“Eu te amo”, alguém dirá
E os pássaros cantarão na nova aurora
Como se o mundo nunca tivesse acabado...
Restará a palavra por dizer
Subvertendo princípios, análises, tratados
Restará somente a poesia
Mostrando a nossa cara deslavada
“O frio na barriga”, “o coração na mão”
“O arrepio na espinha”, “o grito na garganta”
“O aperto no peito”
Fórmulas ultrapassadas
Tudo em vão, nada nos salvará
Imbatível, persistirá apenas uma invenção sem sentido:
“Eu te amo”, alguém dirá
E os pássaros cantarão na nova aurora
Como se o mundo nunca tivesse acabado...
Depois dos 50...
Enfim, em vez de fazer contas, é melhor procurar acertá-las. Não se trata de uma corrida contra o tempo: ele está a favor e me leva de vento em popa. Busco silêncios, fontes inesgotáveis. De repente, a maioria das “coisas importantes” não passa de um tipo de purpurina flutuante que enfeitava a minha convicção pueril. Hoje lido tranquilamente com desconfortáveis e estimulantes incertezas. Hoje: portanto, não sombras, mas adubo; não fantasias, mas perspectivas. Descobri o caminho para alcançar grandes conquistas. Diante da imensa montanha, siga o curso... a trilha das formigas: sabedoria oculta há milhões de anos. No espelho, a alma despida. A maquiagem pesa. De cara limpa, o olhar vai além. Tudo o que tenho comigo para seguir adiante é uma certeza que transborda pelos olhos: fé. Não esperança, mas uma estranha fé. Em mim mesma? Em Deus? Não. No tempo. Então, curo feridas e planto sementes cuja colheita nem sempre será minha: estou aprendendo a amar. Sorvo o dia. Tinham razão as palavras mais que batidas. Abandonei a eterna busca pela felicidade em pensamentos extenuantes e complexos. É mesmo inútil. Finalmente, dou-me conta de que ela me arrebata em inusitados e singelos momentos... como aquele em que velo o sono do meu amor...
sábado, 27 de dezembro de 2014
Luna (Alessandro Safina)
(Only you can hear my soul...)
Luna tu
Quanti sono i canti che risuonano
Desideri che attraverso i secoli
Han solcato il cielo per raggiungerti
Porto per poeti che non scrivono
E che il loro senno spesso perdono
Tu accogli i sospiri di chi spasima
E regali un sogno ad ogni anima
Luna che mi guardi adesso ascoltami
(Only you can hear my soul...)
Luna tu
Che conosci il tempo dell'eternità
E il sentiero stretto della verità
Fà più luce dentro questo cuore mio
Questo cuore d'uomo che non sa, non sa
Che l'amore può nascondere il dolore
Come un fuoco ti può bruciare l'anima
Luna tu
Tu rischiari il cielo e la sua immensità
E ci mostri solo la metà che vuoi
Come poi facciamo quasi sempre noi
Angeli di creta che non volano
Anime di carta che si incendiano
Cuori come foglie che poi cadono
Sogni fatti d'aria che svaniscono
Figli della terra e figli tuoi che sai
Che l'amore può nascondere il dolore
Come un fuoco ti può bruciare l'anima
Ma è con l'amore che respira il nostro cuore
È la forza che tutto muove e illumina
(Only you can hear my soul...)
Alba lux, diva mea, diva es silentissima
Only you can hear my soul
Alba lux, diva mea, diva es silentissima
terça-feira, 21 de outubro de 2014
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Escombros
Assistimos, incrédulos, ao desmoronar do mundo: quedas de bombas, de aviões, de “pontes”, de princípios, de dignidade. De números estatísticos a horrores antissépticos, reduzimo-nos a uma vergonha canalha. Contundentes depoimentos não comovem estranhas e poderosas “entidades”, essas fantásticas invenções! Instituições etéreas que representam “interesses comuns”.
E nós?
Continuamos assistindo, sábios e covardes, ao perfilar de escombros.
Diante do discurso e das análises profundas e impecáveis de especialistas, intelectuais, pontífices e estadistas, o sangue que se derrama é de crianças. O último recurso seria este apelo:
a expressão da Pietà.
Mas não se ouvem gritos de fantasmas...
Resta órfã a nossa ingenuidade: nossa alma destroçada.
a expressão da Pietà.
Mas não se ouvem gritos de fantasmas...
Resta órfã a nossa ingenuidade: nossa alma destroçada.
As pessoas não querem o mal.
Não são elas que o praticam: são os “governos”, os “grupos”, as “facções”.
As pessoas não existem.
Apenas morrem.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Finito
era cheio de certezas
o melhor perfume
o pior filme
a melhor viagem
o pior café
terno impecável
carro do ano
filhos em Harvard
apenas uma dúvida lhe consumia
Quando?
sábado, 31 de maio de 2014
Presságio
Clio Francesca Tricarico
Penso em ti e emudeço
Tenho medo de errar a sílaba, o tom, o gesto
Não respiro
Medo que tua miragem se desfaça ao meu toque
Tua imagem é só um presságio
Fecho os olhos
Teus sussurros me embalam num sonho
No escuro, procuro os teus lábios e beijo o vento
A contragosto, sou expulsa da fantasia
Só não entendo o teu cheiro em minhas mãos...
(in Nosside 2013 - Antologia del XXIX Premio Mondiale di Poesia)
Penso em ti e emudeço
Tenho medo de errar a sílaba, o tom, o gesto
Não respiro
Medo que tua miragem se desfaça ao meu toque
Tua imagem é só um presságio
Fecho os olhos
Teus sussurros me embalam num sonho
No escuro, procuro os teus lábios e beijo o vento
A contragosto, sou expulsa da fantasia
Só não entendo o teu cheiro em minhas mãos...
(in Nosside 2013 - Antologia del XXIX Premio Mondiale di Poesia)
terça-feira, 11 de março de 2014
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Se
(Cinema Paradiso - Ennio Morricone / Josh Groban)
Se tu fossi nei miei occhi per un giorno
Vedresti la bellezza che piena d'allegria
Io trovo dentro gli occhi tuoi
Ignaro se magia o realtà
Se tu fossi nel mio cuore per un giorno
Potreste avere un'idea
Di ciò che sento io
Quando m'abbracci forte a te
E petto a petto noi
Respiriamo insieme
Protagonista del tuo amor
Non so se sia magia o realtà
Se tu fossi nella mia anima un giorno
Sapresti cosa sento in me
Che m'innamorai
Da quell'istante insieme a te
E ciò che provo è
Solamente amore
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
A menina e a chuva
O conhecimento alarga os confins do universo,
mas só se desenvolve com o não conformismo.
Os horizontes se abrem somente para quem não se resigna.
Já dizia o filósofo, uma pena nos habituarmos ao mundo:
não existe desperdício maior.
Fechamos os olhos, quando o que temos diante de nós
é uma infinidade de novos olhares.
Heráclito, ainda te esquecem...
É sempre a primeira vez, se não formos os mesmos.
Afinal, o que é a chuva?
Quando foi que me acostumei com ela e morri?
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Ano Novo
À meia-noite
aguardaremos a fênix
que nos expulsa de dentro e nos lança de novo para o voo
A cada hora
enquanto o distante globo azul fizer a sua volta alucinante
fogos sairão pela tangente gritando para o cosmo:
“Estamos aqui!”
A cada ano
a história se repete trazendo o inesperado
o homem se repete realizando o impossível
e Deus... mas é tudo ilusão!
Dentro do coração, guardamos a inefável verdade
Por isso, em silêncio, continuamos a criar estrelas...
sábado, 28 de dezembro de 2013
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Tango
O conflito é o laço
O embate, rude
A fuga, impossível
Agarro firme, aconchego tenso
Sinuosa aventura corpo adentro
A cilada é o olhar
Precisão ferina
Indomável golpe
Trilha fina e fugaz
Esculpida a pico pelo salto agulha
O segredo é o mote
O jogo é falso
A luta é real
Perfeita simbiose de corpos fantoches
Sutis tentáculos de espíritos inquietos
Seria fácil escapar do truque
Não fosse tua a mão que me venda os olhos...
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Roda Viva (Chico Buarque): um palíndromo...
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| Festival 1967: uma das eternidades |
Roda Viva
(Chico Buarque)
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
domingo, 17 de novembro de 2013
Enigma
Não tenho mais idade pra viver o passado
Meus anos são mais velhos que eu
Salvar o futuro da certeza, é preciso
É muita crueldade morrer antes de mim
Na bola de cristal, vejo a menina me acenando
Cabelos soltos, sorriso franco
No olhar, apenas o enigma anunciando um prefácio...
Errou o artífice que tentou contar a história começando pelo início
Não existe o princípio do nada
Do nada, só conhecemos o fim
E o final é o meio da charada
Pra que lado a menina sorri
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
sábado, 9 de novembro de 2013
O milagre da quarta-feira
Dizem que o tempo não para; não é verdade.
Alguém pode me dizer o que são as 14h30 de uma quarta-feira?
Precisamente nessa hora, o mundo estaciona.
Momento estático.
Universo suspenso.
A inércia se instala.
O ponteiro dos minutos nunca mais vai alcançar o 31.
No escritório, o funcionário se sente em meio a um imenso deserto. Céu limpo, sol escaldante. De um lado, areia; do outro, também. Nenhuma expectativa de que algo mude seu destino.
O caminhoneiro se arrasta pela estrada ansiando inutilmente o final do percurso; seu olhar se perde no horizonte de curvas e retas sem sentido. Velocidade constante. Som de motor.
Na construção, o cimento fica mais pesado, assim como o capacete. Andar acima ou abaixo, tanto faz: todo lugar é o mesmo. Parede, tijolo, andaime, tapume.
A hora do almoço já acabou no boteco. Barulho de pratos na pia. TV em qualquer canal. A mosca é a mesma de ontem; circula perdida no meio do bar. Afinal, são 14h30 de quarta.
A mesmice se agrava dentro do elevador: ninguém sobe, nem desce. Nesse horário? Pra quê?
A balconista já lixou as unhas e retocou o batom. A rádio repete a música e o café não espantou seu sono.
A sesta devia ser obrigatória às quartas-feiras.
Nada escapa desse buraco negro no meio da semana; nenhuma esperança acena para as extenuadas criaturas. Bem dizia a tirinha do Snoopy no fatídico dia: “Senhor, deixe-me morrer.” Não está especificado na tira, mas não resta dúvida que nesse exato momento eram 14h30.
Imagino os escravos do tempo, fazendo um esforço enorme nessa hora, para fazer a grande roda mover mais um segundo... um só! Pobres seres esgotados pelos séculos, que seriam bem mais leves, não fosse quarta, 14h30.
Enfim, dela ninguém escapa.
Mas eis que acontece o inexplicável: miraculosamente, depois de uma eternidade, quando menos se espera, não são mais 14h30. Passou-se um minuto, talvez dois! Com sorte, cinco!!! E então as pessoas voltam lentamente a acreditar na vida... Voltam a acreditar que as 15h00 chegarão... e que, assim como na última semana, o sábado e o domingo também chegarão!
E não se sabe bem, se por conta de tanta fé ou se por piedade divina, o universo se põe a girar. Ao menos até a próxima quarta-feira...
Alguém pode me dizer o que são as 14h30 de uma quarta-feira?
Precisamente nessa hora, o mundo estaciona.
Momento estático.
Universo suspenso.
A inércia se instala.
O ponteiro dos minutos nunca mais vai alcançar o 31.
No escritório, o funcionário se sente em meio a um imenso deserto. Céu limpo, sol escaldante. De um lado, areia; do outro, também. Nenhuma expectativa de que algo mude seu destino.
O caminhoneiro se arrasta pela estrada ansiando inutilmente o final do percurso; seu olhar se perde no horizonte de curvas e retas sem sentido. Velocidade constante. Som de motor.
Na construção, o cimento fica mais pesado, assim como o capacete. Andar acima ou abaixo, tanto faz: todo lugar é o mesmo. Parede, tijolo, andaime, tapume.
A hora do almoço já acabou no boteco. Barulho de pratos na pia. TV em qualquer canal. A mosca é a mesma de ontem; circula perdida no meio do bar. Afinal, são 14h30 de quarta.
A mesmice se agrava dentro do elevador: ninguém sobe, nem desce. Nesse horário? Pra quê?
A balconista já lixou as unhas e retocou o batom. A rádio repete a música e o café não espantou seu sono.
A sesta devia ser obrigatória às quartas-feiras.
Nada escapa desse buraco negro no meio da semana; nenhuma esperança acena para as extenuadas criaturas. Bem dizia a tirinha do Snoopy no fatídico dia: “Senhor, deixe-me morrer.” Não está especificado na tira, mas não resta dúvida que nesse exato momento eram 14h30.
Imagino os escravos do tempo, fazendo um esforço enorme nessa hora, para fazer a grande roda mover mais um segundo... um só! Pobres seres esgotados pelos séculos, que seriam bem mais leves, não fosse quarta, 14h30.
Enfim, dela ninguém escapa.
Mas eis que acontece o inexplicável: miraculosamente, depois de uma eternidade, quando menos se espera, não são mais 14h30. Passou-se um minuto, talvez dois! Com sorte, cinco!!! E então as pessoas voltam lentamente a acreditar na vida... Voltam a acreditar que as 15h00 chegarão... e que, assim como na última semana, o sábado e o domingo também chegarão!
E não se sabe bem, se por conta de tanta fé ou se por piedade divina, o universo se põe a girar. Ao menos até a próxima quarta-feira...
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