domingo, 29 de março de 2015

Segredo

(Clio Francesca Tricarico)


Não busque o segredo dos anos
       nas entrelinhas da história.

Ele está no voo dos pássaros
       quando surfam o vento.

De nada serve interpretar
       velhos pergaminhos
             nem desbravar estrelas
                    nem decifrar os mitos.

Cada medo, cada vitória,
       salvaguarda o seu casulo,
             semente inefável de anseios.

As rugas, sulcos do tempo,
       esculpem no rosto
             nossos desmandos.

Nenhuma delas traduz o fogo
       que persiste até o desfecho.
            
Como flechas,
       atravessamos séculos eternos:
             fazemos milagres,
                    superamos absurdos...

Mas nem um deus descobrirá
       a nascente de uma lágrima.


(in Nosside 2014 - Antologia del XXX Premio Mondiale di Poesia)
"O oposto da vida não é a morte: é a repetição." (Geraldo Eustáquio)

sexta-feira, 6 de março de 2015

L'amore appeso

(Michelangelo)

Al furfante del mio cielo dono occhi e sbuffi
rassegno colpi raccolti nel mio cuore
e lancio a mani i perché mai risolti.

Stranito al lamento di sguardi e passanti
mi infilo distratto tra le pieghe d'un pensiero
mi arresto e con me un sorriso.

Mi avvolgo le braccia al petto e stringo
al riparo dal freddo e dalle mie colpe
rinuncio allo svago di un pianto.

L'urlo mi parte spinto con forza
lascio il mio corpo e mi alzo al mio desto
cado a gomiti sul mio ventre.

Volli mai fare di scarno e offesa
che alla coscienza devo
il rimpianto spinsi al nascosto.

Dell'appeso amore che d'equilibrio finge
nel mezzo nascosto e coperto
trovo nel limite il mio coraggio.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

domingo, 28 de dezembro de 2014

Conto: "Perdoando Deus" | Clarice Lispector | 19/9/1970



 Escritora-Clarisse-Lispector-2Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre. Via tudo, e à toa. Pouco a pouco é que fui percebendo que estava percebendo as coisas. Minha liberdade então se intensificou um pouco mais, sem deixar de ser liberdade.
Tive então um sentimento de que nunca ouvi falar. Por puro carinho, eu me senti a mãe de Deus, que era a Terra, o mundo. Por puro carinho mesmo, sem nenhuma prepotência ou glória, sem o menor senso de superioridade ou igualdade, eu era por carinho a mãe do que existe. Soube também que se tudo isso "fosse mesmo" o que eu sentia - e não possivelmente um equívoco de sentimento - que Deus sem nenhum orgulho e nenhuma pequenez se deixaria acarinhar, e sem nenhum compromisso comigo. Ser-Lhe-ia aceitável a intimidade com que eu fazia carinho. O sentimento era novo para mim, mas muito certo, e não ocorrera antes apenas porque não tinha podido ser. Sei que se ama ao que é Deus. Com amor grave, amor solene, respeito, medo e reverência. Mas nunca tinham me falado de carinho maternal por Ele. E assim como meu carinho por um filho não o reduz, até o alarga, assim ser mãe do mundo era o meu amor apenas livre.
E foi quando quase pisei num enorme rato morto. Em menos de um segundo estava eu eriçada pelo terror de viver, em menos de um segundo estilhaçava-me toda em pânico, e controlava como podia o meu mais profundo grito. Quase correndo de medo, cega entre as pessoas, terminei no outro quarteirão encostada a um poste, cerrando violentamente os olhos, que não queriam mais ver. Mas a imagem colava-se às pálpebras: um grande rato ruivo, de cauda enorme, com os pés esmagados, e morto, quieto, ruivo. O meu medo desmesurado de ratos.
Toda trêmula, consegui continuar a viver. Toda perplexa continuei a andar, com a boca infantilizada pela surpresa. Tentei cortar a conexão entre os dois fatos: o que eu sentira minutos antes e o rato. Mas era inútil. Pelo menos a contigüidade ligava-os. Os dois fatos tinham ilogicamente um nexo. Espantava-me que um rato tivesse sido o meu contraponto. E a revolta de súbito me tomou: então não podia eu me entregar desprevenida ao amor? De que estava Deus querendo me lembrar? Não sou pessoa que precise ser lembrada de que dentro de tudo há o sangue. Não só não esqueço o sangue de dentro como eu o admiro e o quero, sou demais o sangue para esquecer o sangue, e para mim a palavra espiritual não tem sentido, e nem a palavra terrena tem sentido. Não era preciso ter jogado na minha cara tão nua um rato. Não naquele instante. Bem poderia ter sido levado em conta o pavor que desde pequena me alucina e persegue, os ratos já riram de mim, no passado do mundo os ratos já me devoraram com pressa e raiva. Então era assim?, eu andando pelo mundo sem pedir nada, sem precisar de nada, amando de puro amor inocente, e Deus a me mostrar o seu rato? A grosseria de Deus me feria e insultava-me. Deus era bruto. Andando com o coração fechado, minha decepção era tão inconsolável como só em criança fui decepcionada. Continuei andando, procurava esquecer. Mas só me ocorria a vingança. Mas que vingança poderia eu contra um Deus Todo-Poderoso, contra um Deus que até com um rato esmagado poderia me esmagar? Minha vulnerabilidade de criatura só. Na minha vontade de vingança nem ao menos eu podia encará-Lo, pois eu não sabia onde é que Ele mais estava, qual seria a coisa onde Ele mais estava e que eu, olhando com raiva essa coisa, eu O visse? no rato? naquela janela? nas pedras do chão? Em mim é que Ele não estava mais. Em mim é que eu não O via mais.
Então a vingança dos fracos me ocorreu: ah, é assim? pois então não guardarei segredo, e vou contar. Sei que é ignóbil ter entrado na intimidade de Alguém, e depois contar os segredos, mas vou contar - não conte, só por carinho não conte, guarde para você mesma as vergonhas Dele - mas vou contar, sim, vou espalhar isso que me aconteceu, dessa vez não vai ficar por isso mesmo, vou contar o que Ele fez, vou estragar a Sua reputação.
... mas quem sabe, foi porque o mundo também é rato, e eu tinha pensado que já estava pronta para o rato também. Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim. É porque só poderei ser mãe das coisas quando puder pegar um rato na mão. Sei que nunca poderei pegar num rato sem morrer de minha pior morte. Então, pois, que eu use o magnificat que entoa às cegas sobre o que não se sabe nem vê. E que eu use o formalismo que me afasta. Porque o formalismo não tem ferido a minha simplicidade, e sim o meu orgulho, pois é pelo orgulho de ter nascido que me sinto tão íntima do mundo, mas este mundo que eu ainda extraí de mim de um grito mudo. Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. Talvez eu tenha que chamar de "mundo" esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que "Deus" é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe.
  clispector assinatura

Texto publicado no Jornal do Brasil em 19/9/1970 e depois no livro "A descoberta do mundo".

Extraído da página do Instituto de Psicologia da USP: link IP.USP

Hors concours

Mas... E depois? Morremos
Restará a palavra por dizer
Subvertendo princípios, análises, tratados
Restará somente a poesia
Mostrando a nossa cara deslavada
“O frio na barriga”, “o coração na mão”
“O arrepio na espinha”, “o grito na garganta”
“O aperto no peito”
Fórmulas ultrapassadas
Tudo em vão, nada nos salvará
Imbatível, persistirá apenas uma invenção sem sentido:
“Eu te amo”, alguém dirá
E os pássaros cantarão na nova aurora
Como se o mundo nunca tivesse acabado...

Depois dos 50...

Enfim, em vez de fazer contas, é melhor procurar acertá-las. Não se trata de uma corrida contra o tempo: ele está a favor e me leva de vento em popa. Busco silêncios, fontes inesgotáveis. De repente, a maioria das “coisas importantes” não passa de um tipo de purpurina flutuante que enfeitava a minha convicção pueril. Hoje lido tranquilamente com desconfortáveis e estimulantes incertezas. Hoje: portanto, não sombras, mas adubo; não fantasias, mas perspectivas. Descobri o caminho para alcançar grandes conquistas. Diante da imensa montanha, siga o curso... a trilha das formigas: sabedoria oculta há milhões de anos. No espelho, a alma despida. A maquiagem pesa. De cara limpa, o olhar vai além. Tudo o que tenho comigo para seguir adiante é uma certeza que transborda pelos olhos: fé. Não esperança, mas uma estranha fé. Em mim mesma? Em Deus? Não. No tempo. Então, curo feridas e planto sementes cuja colheita nem sempre será minha: estou aprendendo a amar. Sorvo o dia. Tinham razão as palavras mais que batidas. Abandonei a eterna busca pela felicidade em pensamentos extenuantes e complexos. É mesmo inútil. Finalmente, dou-me conta de que ela me arrebata em inusitados e singelos momentos... como aquele em que velo o sono do meu amor...

sábado, 27 de dezembro de 2014

Luna (Alessandro Safina)




(Only you can hear my soul...)

Luna tu
Quanti sono i canti che risuonano
Desideri che attraverso i secoli
Han solcato il cielo per raggiungerti
Porto per poeti che non scrivono
E che il loro senno spesso perdono
Tu accogli i sospiri di chi spasima
E regali un sogno ad ogni anima
Luna che mi guardi adesso ascoltami


(Only you can hear my soul...)

Luna tu
Che conosci il tempo dell'eternità
E il sentiero stretto della verità
Fà più luce dentro questo cuore mio
Questo cuore d'uomo che non sa, non sa
Che l'amore può nascondere il dolore
Come un fuoco ti può bruciare l'anima

Luna tu
Tu rischiari il cielo e la sua immensità
E ci mostri solo la metà che vuoi
Come poi facciamo quasi sempre noi
Angeli di creta che non volano
Anime di carta che si incendiano
Cuori come foglie che poi cadono
Sogni fatti d'aria che svaniscono
Figli della terra e figli tuoi che sai

Che l'amore può nascondere il dolore
Come un fuoco ti può bruciare l'anima
Ma è con l'amore che respira il nostro cuore
È la forza che tutto muove e illumina

(Only you can hear my soul...)

Alba lux, diva mea, diva es silentissima
Only you can hear my soul
Alba lux, diva mea, diva es silentissima

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Ofereci-lhe o copo. 
Ele me respondeu:  
"Nóis num é dessas frescura não, dona."

("dona"...)

E tomou a água nas mãos. 
E abriu o sorriso mais feliz deste mundo.  

Menos talheres... mais prazeres? 


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Escombros


Assistimos, incrédulos, ao desmoronar do mundo: quedas de bombas, de aviões, de “pontes”, de princípios, de dignidade. De números estatísticos a horrores antissépticos, reduzimo-nos a uma vergonha canalha. Contundentes depoimentos não comovem estranhas e poderosas “entidades”, essas fantásticas invenções! Instituições etéreas que representam “interesses comuns”.
E nós? 
Continuamos assistindo, sábios e covardes, ao perfilar de escombros.
Diante do discurso e das análises profundas e impecáveis de especialistas, intelectuais, pontífices e estadistas, o sangue que se derrama é de crianças. O último recurso seria este apelo: 
a expressão da Pietà. 
Mas não se ouvem gritos de fantasmas... 
Resta órfã a nossa ingenuidade: nossa alma destroçada.
As pessoas não querem o mal. 
Não são elas que o praticam: são os “governos”, os “grupos”, as “facções”. 
As pessoas não existem. 
Apenas morrem.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Finito

era cheio de certezas

o melhor perfume
o pior filme
a melhor viagem
o pior café

terno impecável
carro do ano
filhos em Harvard

apenas uma dúvida lhe consumia

Quando?

sábado, 31 de maio de 2014

Presságio

Clio Francesca Tricarico

Penso em ti e emudeço
Tenho medo de errar a sílaba, o tom, o gesto
Não respiro
Medo que tua miragem se desfaça ao meu toque
Tua imagem é só um presságio
Fecho os olhos
Teus sussurros me embalam num sonho
No escuro, procuro os teus lábios e beijo o vento
A contragosto, sou expulsa da fantasia
Só não entendo o teu cheiro em minhas mãos...



(in 
Nosside 2013 - Antologia del XXIX Premio Mondiale di Poesia)

terça-feira, 11 de março de 2014

O tempo é o amor que vem e que vai
A vida é só o instante
em que o vivemos...

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

ieri...
nato un altro vuoto
di quel tipo che non si riempie mai

e la vita va avanti
e il mondo ignora
il mio silenzio


il dolore 
di non dimenticare mai 
quel che non si può più avere

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Se

(Cinema Paradiso - Ennio Morricone / Josh Groban)


Se tu fossi nei miei occhi per un giorno
Vedresti la bellezza che piena d'allegria
Io trovo dentro gli occhi tuoi
Ignaro se magia o realtà

Se tu fossi nel mio cuore per un giorno
Potreste avere un'idea
Di ciò che sento io
Quando m'abbracci forte a te
E petto a petto noi
Respiriamo insieme

Protagonista del tuo amor
Non so se sia magia o realtà

Se tu fossi nella mia anima un giorno
Sapresti cosa sento in me
Che m'innamorai
Da quell'istante insieme a te
E ciò che provo è
Solamente amore

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A menina e a chuva





O conhecimento alarga os confins do universo, 
mas só se desenvolve com o não conformismo. 
Os horizontes se abrem somente para quem não se resigna. 
Já dizia o filósofo, uma pena nos habituarmos ao mundo: 
não existe desperdício maior. 
Fechamos os olhos, quando o que temos diante de nós 
é uma infinidade de novos olhares. 
Heráclito, ainda te esquecem... 
É sempre a primeira vez, se não formos os mesmos. 
Afinal, o que é a chuva? 
Quando foi que me acostumei com ela e morri?

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Pensamos muito para alcançar o simples
esquecendo que não existe nada mais simples que sentir...

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Somos laços
Somos esse amálgama de todos com quem nos misturamos
Talvez a morte nos desfaça por misericórdia
Esquecer de si mesmo é preciso
Como suportar eternamente a saudade de tudo... 

de todos... 
de mim?

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Ano Novo



À meia-noite
aguardaremos a fênix
que nos expulsa de dentro e nos lança de novo para o voo


A cada hora
enquanto o distante globo azul fizer a sua volta alucinante
fogos sairão pela tangente gritando para o cosmo:
“Estamos aqui!”

A cada ano
a história se repete trazendo o inesperado
o homem se repete realizando o impossível
e Deus... mas é tudo ilusão!


Dentro do coração, guardamos a inefável verdade
Por isso, em silêncio, continuamos a criar estrelas...

sábado, 28 de dezembro de 2013


ciò che scrivo è solo la punta dell'iceberg 
quel che non dico è un viaggio senza ritorno 
di cui presento solo l'invito 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Só o tempo pode revelar o mistério de certos encontros, mas não vivemos o suficiente...

Então, amamos...

Tango


O conflito é o laço
O embate, rude
A fuga, impossível
Agarro firme, aconchego tenso
Sinuosa aventura corpo adentro

A cilada é o olhar
Precisão ferina
Indomável golpe
Trilha fina e fugaz
Esculpida a pico pelo salto agulha

O segredo é o mote
O jogo é falso
A luta é real
Perfeita simbiose de corpos fantoches
Sutis tentáculos de espíritos inquietos

Seria fácil escapar do truque
Não fosse tua 
a mão que me venda os olhos...

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Deixem-me ir em paz
Não tentem cristalizar a minha forma
Tudo o que fui e o que eu seria


Deixem-me viver o sonho
de alcançar os confins do mundo
pulverizando o que em mim germinou tão fértil
a semente do que chamam Humanidade


Deixem-me.
Concedam-me por fim
a liberdade de não ser

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

estupidez, ignorância e vulgaridade:
a natureza não devia permitir uma combinação destas num único ser.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Roda Viva (Chico Buarque): um palíndromo...


Festival 1967: uma das eternidades


Roda Viva
(Chico Buarque)

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

domingo, 17 de novembro de 2013

Enigma

Não tenho mais idade pra viver o passado
Meus anos são mais velhos que eu
Salvar o futuro da certeza, é preciso
É muita crueldade morrer antes de mim
Na bola de cristal, vejo a menina me acenando
Cabelos soltos, sorriso franco
No olhar, apenas o enigma anunciando um prefácio...
Errou o artífice que tentou contar a história começando pelo início
Não existe o princípio do nada
Do nada, só conhecemos o fim
E o final é o meio da charada
Pra que lado a menina sorri
Tenho medo de mergulhar nesse mar de cinzas
e revirar esqueletos abandonados
Basta um mínimo olhar
pra que, nos porões, se crie o fantasma
do que nunca existiu

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Música é a mistura inefável de sons que escapam do paraíso quando um anjo esquece a porta aberta...
La Luna è tanto bella oggi 
sembra che sei qui con me...

domingo, 10 de novembro de 2013

sábado, 9 de novembro de 2013

O milagre da quarta-feira

Dizem que o tempo não para; não é verdade.
Alguém pode me dizer o que são as 14h30 de uma quarta-feira?
Precisamente nessa hora, o mundo estaciona.
Momento estático.
Universo suspenso.
A inércia se instala.
O ponteiro dos minutos nunca mais vai alcançar o 31.


No escritório, o funcionário se sente em meio a um imenso deserto. Céu limpo, sol escaldante. De um lado, areia; do outro, também. Nenhuma expectativa de que algo mude seu destino.

O caminhoneiro se arrasta pela estrada ansiando inutilmente o final do percurso; seu olhar se perde no horizonte de curvas e retas sem sentido. Velocidade constante. Som de motor.

Na construção, o cimento fica mais pesado, assim como o capacete. Andar acima ou abaixo, tanto faz: todo lugar é o mesmo. Parede, tijolo, andaime, tapume.

A hora do almoço já acabou no boteco. Barulho de pratos na pia. TV em qualquer canal. A mosca é a mesma de ontem; circula perdida no meio do bar. Afinal, são 14h30 de quarta.

A mesmice se agrava dentro do elevador: ninguém sobe, nem desce. Nesse horário? Pra quê?

A balconista já lixou as unhas e retocou o batom. A rádio repete a música e o café não espantou seu sono.

A sesta devia ser obrigatória às quartas-feiras.

Nada escapa desse buraco negro no meio da semana; nenhuma esperança acena para as extenuadas criaturas. Bem dizia a tirinha do Snoopy no fatídico dia: “Senhor, deixe-me morrer.” Não está especificado na tira, mas não resta dúvida que nesse exato momento eram 14h30.

Imagino os escravos do tempo, fazendo um esforço enorme nessa hora, para fazer a grande roda mover mais um segundo... um só! Pobres seres esgotados pelos séculos, que seriam bem mais leves, não fosse quarta, 14h30.

Enfim, dela ninguém escapa.

Mas eis que acontece o inexplicável: miraculosamente, depois de uma eternidade, quando menos se espera, não são mais 14h30. Passou-se um minuto, talvez dois! Com sorte, cinco!!! E então as pessoas voltam lentamente a acreditar na vida... Voltam a acreditar que as 15h00 chegarão... e que, assim como na última semana, o sábado e o domingo também chegarão!

E não se sabe bem, se por conta de tanta fé ou se por piedade divina, o universo se põe a girar. Ao menos até a próxima quarta-feira...

sábado, 19 de outubro de 2013

Vinícius cem anos... Vinícius eterno...



"Meu tempo é quando"
(Poética - Nova Iorque - 1966)



Eu sei que vou te amar / Soneto de Fidelidade




Eu sei que vou te amar

Eu sei que vou te amar

Por toda a minha vida, eu vou te amar
Em cada despedida, eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar

E cada verso meu será
Pra te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua, eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta tua ausência me causou

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida



Soneto de fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

i nostri pensieri non resistono
si incontrano in segreto tutto il tempo...

sábado, 10 de agosto de 2013

É preciso fincar esse punhal no tempo
antes que ele vire a página
de mais um ano sem volta

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Só Tinha De Ser Com Você

(Tom Jobim & Elis Regina)

Para ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=-tnilh5_Mas

Tom Jobim e Elis Regina - 1974 - Foto de Fernando Duarte
É,
Só eu sei
Quanto amor
Eu guardei
Sem saber
Que era só
Pra você.

É, só tinha de ser com você,
Havia de ser pra você,
Senão era mais uma dor,
Senão não seria o amor,
Aquele que a gente não vê,
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você.
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você.

É, você que é feito de azul,
Me deixa morar nesse azul,
Me deixa encontrar minha paz,
Você que é bonito demais,
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.

É, você que é feito de azul,
Me deixa morar nesse azul,
Me deixa encontrar minha paz,
Você que é bonito demais,
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.
Eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.
Eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.
Eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

L'ultimo addio non è stato detto
L'ultimo sguardo supplicava: ancora no
Le nostre mani sono state separate
contro la volontà di entrambi

Perdono.
Ho ripetuto mille volte
mentre tu sembravi dormire

Di niente ha servito il mio immenso no.
Inutile.
L'ora, l'unica definitiva, era quella.

Dieci anni fa, pà
dieci anni...

Ti amo.
Ripeterò per sempre...



***



O último adeus não foi dito
O último olhar suplicava: ainda não
Nossas mãos foram separadas
contra a vontade de ambos

Perdão.
Repeti mil vezes
enquanto você parecia dormir

De nada serviu o meu imenso não.
Inútil.
A hora, a única definitiva, era aquela.

Faz dez anos, pà
dez anos...

Eu te amo. 

Repetirei para sempre...

quel momento in cui non sappiamo
qual è la tua pelle
qual è la mia...

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Nasci nessa cidade, nesse bairro
A cada dia, mais barulho
Menos vizinhos, menos pipas
Só a madrugada me salva:
Ainda posso ouvir o trem ao longe
É meu cheiro no travesseiro...
se per un attimo io ti dimenticassi?
avrei bisogno di reinventare il mio mondo...
Não, eu não li... não vi
Não sei do que falam os eruditos
A mim, coube apenas sentir o cheiro de cada manhã 

e mudar o leme do dia...
É preciso estar ali a regar ervas daninhas
já que são todo o alimento que nos resta
quando abrimos mão do último sentimento:
a fé no olhar diante do espelho

Estamos cansados

(Nei Duclós)

Estamos cansados
dos papos nos bares
dos encontros sem graça
das confissões em voz baixa
dos cumprimentos adequados
dos sorrisos forçados
da nossa cidade
das mesmas praças

Em grupo olhamos para todos os lados
para não nos enfrentar de cara

Esperamos com a boca amarga
a doce explosão dos ares
a vinda esperada do rei
o assassinato
o definitivo fim da farsa

Sou culpado pois não finco tua carne
com agulhas de fino aço
nem te arranco um filho
nem tento suicídio
nem faço um carnaval de fogo

O silêncio
cheio de tédio e segredo
sopra diariamente
e nos seca a garganta

(Do livro Outubro, 1975)

domingo, 28 de julho de 2013

Escrever é abrir um corte na carne e expor entranhas...
A palavra sangra e não se estanca
Jorra até o fim
E quando acaba, não morre
Mata.

sábado, 27 de julho de 2013

so quando sparisci:
apro la finestra
ed il mondo è solo silenzio e ombra

domingo, 21 de julho de 2013

A obsessão de Adão

(título emprestado da bela obra de Enzo Truppo)

L’Ossessione Di Adamo (Enzo Truppo)

Tormento
labirinto espiral 
dúvida proibida
fome insaciável
carne viva

Ímpeto
sopro fecundo
semente vermelha
mordida fatal
abissal mergulho 

Luz
desejo divino
pulso exposto
verbo impune
humano vício

segunda-feira, 15 de julho de 2013

quinta-feira, 11 de julho de 2013

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Inteligência me dá tesão.
Raciocínio ágil e com complexidade de ideias é orgástico.
Se agregar beleza artística então...
orgasmos múltiplos
em ondas
siderais...

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Busco a palavra que inventa este dia pra que ele exista
enquanto, de qualquer maneira, ele se impõe assim
sem sentido...

sexta-feira, 28 de junho de 2013

invento esse amor todo dia
às vezes, cansa e desisto
então, morro um pouco
e aos poucos
morro um dia
"Quase foi-se o dia e nem lembrei que estavas longe. 
Levaste a luz contigo, memória viva.
O mundo recuperou o tom cinza do tempo
em que não te conhecia."
(Nei Duclós)

segunda-feira, 24 de junho de 2013

S’amor non è

(Se amor não é - tradução abaixo)

Francesco Petrarca

S' amor non è, che dunque è quel ch' io sento?
Ma s'egli è amor, per Dio, che cosa e quale?
Se buona, ond è effetto aspro mortale?
Se ria, ond' è si dolce ogni tormento?

S'a mia voglia ardo, ond' è 'I pianto e 'I lamento?
S'a mal mio grado, il lamentar che vale?
O viva morte, o dilettoso male,
Come puoi tanto in me s'io nol consento?

E s'io 'I consento, a gran torto mi doglio.
Fra sì contrari venti, in frale barca
Mi trovo in alto mar, senza governo,

Sí lieve di saber, d'error sí carca,
Ch' i i' medesmo non so quel ch' io mi voglio,
E tremo a mèzza state, ardendo il verno



Se amor não é qual é este sentimento?
Mas se é amor, por Deus, que cousa é a tal?
Se boa por que tem ação mortal?
Se má por que é tão doce o seu tormento?

Se eu ardo por querer por que o lamento?
Se sem querer o lamentar que val?
Ó viva morte, ó deleitoso mal,
Tanto podes sem meu consentimento.

E se eu consinto sem razão pranteio.
A tão contrário vento em frágil barca,
Eu vou para o alto mar e sem governo.

É tão grave de error, de ciência é parca
Que eu mesmo não sei bem o que eu anseio
E tremo em pleno estio e ardo no inverno.

(Tradução de Jamil Almansur Haddad)

domingo, 16 de junho de 2013

Arena de vidro

Imagem retirada do site http://www.brasildefato.com.br

Os heróis se insurgem sem líder
Entrelaçados por fios invisíveis
Desentocam velhos leões
Que, famintos, apresentam suas garras

Cicatrizes antigas se abrem
Nas ruas de sangue da história
Se erguem barricadas de flores
Contra os domadores da plebe

Vivem eles ainda no outrora
Antes mesmo da bateção de panelas
Quando o exílio era a misericórdia

Esquecem que os olhos de agora
Se espalham além dos confins
Das paredes de vidro da arena
Não conhecemos nossas superfícies, nossos relevos...
Somos um encontro de magmas
Por isso, essa confusão incandescente

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Miserável sina

Amo-o tanto
que o deixo ir
como se pudesse
orbitar sua aura
e viver assim
num vento em transe

Seria fácil
não fosse o cheiro
a exalar por dentro
o que me enlouquece
o homem forte
minha raiz em sangue

Farejo os cantos
miserável sina

busca em vão
na espiral de espelhos

nada é mais só
do que o esquecimento

O meu consolo
é seguir suas pistas
e vê-lo herói
conquistando o mundo
enquanto guardo
seu cansaço em mim

Amo-o tanto
que a dor sorri
mesmo caindo
nesse abismo insano
por viver a gana
desse amor sem fim

domingo, 9 de junho de 2013

Antecipo o instante um milhão de vezes sem alcançá-lo 
e quando ele me toma como uma onda, é impossível contê-lo...


domingo, 2 de junho de 2013

Incubus

Clio Francesca Tricarico

Me tolhe do meu sonho sem aviso 
diante do seu poder, me rendo 
silencioso em mim se infiltra inexorável
em torrente caudalosa 
de homem 
de verbo 
de gana 
de sede 
de mundo 
percorre minhas veias em lavas sórdidas 
me sorve, me devora, possuído 

Toma meu rumo, minha fala, minha agonia 
não sossega se não arranca o último grito 
não se sacia se não esgota todo o sumo 
de mulher 
de terra 
de canto 
de gozo 
de fundo 
exaurida, perco o passo
perco o verso 
ganho tudo 

Alucinada pelo torpor que me mistura 
entre tons audaciosos e sublimes 
em rodopios arrastada por seu ímpeto 
resta apenas o desejo da catarse: 
ser sua palavra
sua carne
seu expurgo 

Desesperada por não sair do seu domínio 
me deposita lentamente no meu tempo 
impregnada do seu ser fogo e vento 
tudo aquilo que incorpora e não diz

Sinto dentro 
o que rouba o fiato, a fala 
excesso que desatina
o que não está na palavra... ainda...

Medo.

(in Nosside 2012 - Antologia del XXVIII Premio Mondiale di Poesia)

sábado, 25 de maio de 2013

Enigma

Dalí - O enigma sem fim

Não tenho mais idade pra viver o passado
Meus anos são mais velhos que eu
Salvar o futuro da certeza, é preciso
É muita crueldade morrer antes de mim
Na bola de cristal, vejo a menina me acenando
Cabelos soltos, sorriso franco
No olhar, apenas o enigma anunciando um prefácio...
Errou o artífice que tentou contar a história começando pelo início
Não existe o princípio do nada
Do nada, só conhecemos o fim
E o final é o meio da charada
Pra que lado a menina sorri

sexta-feira, 3 de maio de 2013

quinta-feira, 2 de maio de 2013

I limoni

(Eugenio Montale)

Ascoltami, i poeti laureati
si muovono soltanto fra le piante
dai nomi poco usati: bossi ligustri o acanti.
Io, per me, amo le strade che riescono agli erbosi
fossi dove in pozzanghere
mezzo seccate agguantano i ragazzi
qualche sparuta anguilla:
le viuzze che seguono i ciglioni,
discendono tra i ciuffi delle canne
e mettono negli orti, tra gli alberi dei limoni.

Meglio se le gazzarre degli uccelli
si spengono inghiottite dall'azzurro:
più chiaro si ascolta il sussurro
dei rami amici nell'aria che quasi non si muove,
e i sensi di quest'odore
che non sa staccarsi da terra
e piove in petto una dolcezza inquieta.
Qui delle divertite passioni
per miracolo tace la guerra,
qui tocca anche a noi poveri la nostra parte di ricchezza
ed è l'odore dei limoni.

Vedi, in questi silenzi in cui le cose
s'abbandonano e sembrano vicine
a tradire il loro ultimo segreto,
talora ci si aspetta
di scoprire uno sbaglio di Natura,
il punto morto del mondo, l'anello che non tiene,
il filo da disbrogliare che finalmente ci metta
nel mezzo di una verità
Lo sguardo fruga d'intorno,
la mente indaga accorda disunisce
nel profumo che dilaga
quando il giorno più languisce.
Sono i silenzi in cui si vede
in ogni ombra umana che si allontana
qualche disturbata Divinità

Ma l'illusione manca e ci riporta il tempo
nelle città rumorose dove l'azzurro si mostra
soltanto a pezzi, in alto, tra le cimase.
La pioggia stanca la terra, di poi; s'affolta
il tedio dell'inverno sulle case,
la luce si fa avara - amara l'anima.
Quando un giorno da un malchiuso portone
tra gli alberi di una corte
ci si mostrano i gialli dei limoni;
e il gelo del cuore si sfa,
e in petto ci scrosciano
le loro canzoni
le trombe d'oro della solarità.


(in Ossi di seppia, 1925)

quarta-feira, 1 de maio de 2013

terça-feira, 30 de abril de 2013

...as celas nunca tinham sido trancadas;
em cada uma delas, jazia um morto,
acorrentado em suas próprias crenças...

domingo, 28 de abril de 2013

Nell'abbraccio ci assorbiamo in silenzio...
è quando il mondo è in pace