Para o amor, nunca mais é um tempo que dói.
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Tango
O conflito é o laço
O embate, rude
A fuga, impossível
Agarro firme, aconchego tenso
Sinuosa aventura corpo adentro
A cilada é o olhar
Precisão ferina
Indomável golpe
Trilha fina e fugaz
Esculpida a pico pelo salto agulha
O segredo é o mote
O jogo é falso
A luta é real
Perfeita simbiose de corpos fantoches
Sutis tentáculos de espíritos inquietos
Seria fácil escapar do truque
Não fosse tua a mão que me venda os olhos...
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Roda Viva (Chico Buarque): um palíndromo...
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| Festival 1967: uma das eternidades |
Roda Viva
(Chico Buarque)
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
domingo, 17 de novembro de 2013
Enigma
Não tenho mais idade pra viver o passado
Meus anos são mais velhos que eu
Salvar o futuro da certeza, é preciso
É muita crueldade morrer antes de mim
Na bola de cristal, vejo a menina me acenando
Cabelos soltos, sorriso franco
No olhar, apenas o enigma anunciando um prefácio...
Errou o artífice que tentou contar a história começando pelo início
Não existe o princípio do nada
Do nada, só conhecemos o fim
E o final é o meio da charada
Pra que lado a menina sorri
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
sábado, 9 de novembro de 2013
O milagre da quarta-feira
Dizem que o tempo não para; não é verdade.
Alguém pode me dizer o que são as 14h30 de uma quarta-feira?
Precisamente nessa hora, o mundo estaciona.
Momento estático.
Universo suspenso.
A inércia se instala.
O ponteiro dos minutos nunca mais vai alcançar o 31.
No escritório, o funcionário se sente em meio a um imenso deserto. Céu limpo, sol escaldante. De um lado, areia; do outro, também. Nenhuma expectativa de que algo mude seu destino.
O caminhoneiro se arrasta pela estrada ansiando inutilmente o final do percurso; seu olhar se perde no horizonte de curvas e retas sem sentido. Velocidade constante. Som de motor.
Na construção, o cimento fica mais pesado, assim como o capacete. Andar acima ou abaixo, tanto faz: todo lugar é o mesmo. Parede, tijolo, andaime, tapume.
A hora do almoço já acabou no boteco. Barulho de pratos na pia. TV em qualquer canal. A mosca é a mesma de ontem; circula perdida no meio do bar. Afinal, são 14h30 de quarta.
A mesmice se agrava dentro do elevador: ninguém sobe, nem desce. Nesse horário? Pra quê?
A balconista já lixou as unhas e retocou o batom. A rádio repete a música e o café não espantou seu sono.
A sesta devia ser obrigatória às quartas-feiras.
Nada escapa desse buraco negro no meio da semana; nenhuma esperança acena para as extenuadas criaturas. Bem dizia a tirinha do Snoopy no fatídico dia: “Senhor, deixe-me morrer.” Não está especificado na tira, mas não resta dúvida que nesse exato momento eram 14h30.
Imagino os escravos do tempo, fazendo um esforço enorme nessa hora, para fazer a grande roda mover mais um segundo... um só! Pobres seres esgotados pelos séculos, que seriam bem mais leves, não fosse quarta, 14h30.
Enfim, dela ninguém escapa.
Mas eis que acontece o inexplicável: miraculosamente, depois de uma eternidade, quando menos se espera, não são mais 14h30. Passou-se um minuto, talvez dois! Com sorte, cinco!!! E então as pessoas voltam lentamente a acreditar na vida... Voltam a acreditar que as 15h00 chegarão... e que, assim como na última semana, o sábado e o domingo também chegarão!
E não se sabe bem, se por conta de tanta fé ou se por piedade divina, o universo se põe a girar. Ao menos até a próxima quarta-feira...
Alguém pode me dizer o que são as 14h30 de uma quarta-feira?
Precisamente nessa hora, o mundo estaciona.
Momento estático.
Universo suspenso.
A inércia se instala.
O ponteiro dos minutos nunca mais vai alcançar o 31.
No escritório, o funcionário se sente em meio a um imenso deserto. Céu limpo, sol escaldante. De um lado, areia; do outro, também. Nenhuma expectativa de que algo mude seu destino.
O caminhoneiro se arrasta pela estrada ansiando inutilmente o final do percurso; seu olhar se perde no horizonte de curvas e retas sem sentido. Velocidade constante. Som de motor.
Na construção, o cimento fica mais pesado, assim como o capacete. Andar acima ou abaixo, tanto faz: todo lugar é o mesmo. Parede, tijolo, andaime, tapume.
A hora do almoço já acabou no boteco. Barulho de pratos na pia. TV em qualquer canal. A mosca é a mesma de ontem; circula perdida no meio do bar. Afinal, são 14h30 de quarta.
A mesmice se agrava dentro do elevador: ninguém sobe, nem desce. Nesse horário? Pra quê?
A balconista já lixou as unhas e retocou o batom. A rádio repete a música e o café não espantou seu sono.
A sesta devia ser obrigatória às quartas-feiras.
Nada escapa desse buraco negro no meio da semana; nenhuma esperança acena para as extenuadas criaturas. Bem dizia a tirinha do Snoopy no fatídico dia: “Senhor, deixe-me morrer.” Não está especificado na tira, mas não resta dúvida que nesse exato momento eram 14h30.
Imagino os escravos do tempo, fazendo um esforço enorme nessa hora, para fazer a grande roda mover mais um segundo... um só! Pobres seres esgotados pelos séculos, que seriam bem mais leves, não fosse quarta, 14h30.
Enfim, dela ninguém escapa.
Mas eis que acontece o inexplicável: miraculosamente, depois de uma eternidade, quando menos se espera, não são mais 14h30. Passou-se um minuto, talvez dois! Com sorte, cinco!!! E então as pessoas voltam lentamente a acreditar na vida... Voltam a acreditar que as 15h00 chegarão... e que, assim como na última semana, o sábado e o domingo também chegarão!
E não se sabe bem, se por conta de tanta fé ou se por piedade divina, o universo se põe a girar. Ao menos até a próxima quarta-feira...
sábado, 19 de outubro de 2013
Vinícius cem anos... Vinícius eterno...
"Meu tempo é quando"
(Poética - Nova Iorque - 1966)
Eu sei que vou te amar / Soneto de Fidelidade
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida, eu vou te amar
Em cada despedida, eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua, eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta tua ausência me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida
Soneto de fidelidade
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
sábado, 10 de agosto de 2013
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Só Tinha De Ser Com Você
![]() |
| Tom Jobim e Elis Regina - 1974 - Foto de Fernando Duarte |
Só eu sei
Quanto amor
Eu guardei
Sem saber
Que era só
Pra você.
É, só tinha de ser com você,
Havia de ser pra você,
Senão era mais uma dor,
Senão não seria o amor,
Aquele que a gente não vê,
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você.
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você.
É, você que é feito de azul,
Me deixa morar nesse azul,
Me deixa encontrar minha paz,
Você que é bonito demais,
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.
É, você que é feito de azul,
Me deixa morar nesse azul,
Me deixa encontrar minha paz,
Você que é bonito demais,
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.
Eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.
Eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim.
Eu sempre fui só de você,
Você sempre foi só de mim
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
L'ultimo addio non è stato detto
L'ultimo sguardo supplicava: ancora no
Le nostre mani sono state separate
contro la volontà di entrambi
Perdono.
Ho ripetuto mille volte
mentre tu sembravi dormire
Di niente ha servito il mio immenso no.
Inutile.
L'ora, l'unica definitiva, era quella.
Dieci anni fa, pà
dieci anni...
Ti amo.
Ripeterò per sempre...
***
O último adeus não foi dito
O último olhar suplicava: ainda não
Nossas mãos foram separadas
contra a vontade de ambos
Perdão.
Repeti mil vezes
enquanto você parecia dormir
De nada serviu o meu imenso não.
Inútil.
A hora, a única definitiva, era aquela.
Faz dez anos, pà
dez anos...
Eu te amo.
L'ultimo sguardo supplicava: ancora no
Le nostre mani sono state separate
contro la volontà di entrambi
Perdono.
Ho ripetuto mille volte
mentre tu sembravi dormire
Di niente ha servito il mio immenso no.
Inutile.
L'ora, l'unica definitiva, era quella.
Dieci anni fa, pà
dieci anni...
Ti amo.
Ripeterò per sempre...
***
O último adeus não foi dito
O último olhar suplicava: ainda não
Nossas mãos foram separadas
contra a vontade de ambos
Perdão.
Repeti mil vezes
enquanto você parecia dormir
De nada serviu o meu imenso não.
Inútil.
A hora, a única definitiva, era aquela.
Faz dez anos, pà
dez anos...
Eu te amo.
Repetirei para sempre...
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Estamos cansados
(Nei Duclós)
Estamos cansados
dos papos nos bares
dos encontros sem graça
das confissões em voz baixa
dos cumprimentos adequados
dos sorrisos forçados
da nossa cidade
das mesmas praças
Em grupo olhamos para todos os lados
para não nos enfrentar de cara
Esperamos com a boca amarga
a doce explosão dos ares
a vinda esperada do rei
o assassinato
o definitivo fim da farsa
Sou culpado pois não finco tua carne
com agulhas de fino aço
nem te arranco um filho
nem tento suicídio
nem faço um carnaval de fogo
O silêncio
cheio de tédio e segredo
sopra diariamente
e nos seca a garganta
(Do livro Outubro, 1975)
Estamos cansados
dos papos nos bares
dos encontros sem graça
das confissões em voz baixa
dos cumprimentos adequados
dos sorrisos forçados
da nossa cidade
das mesmas praças
Em grupo olhamos para todos os lados
para não nos enfrentar de cara
Esperamos com a boca amarga
a doce explosão dos ares
a vinda esperada do rei
o assassinato
o definitivo fim da farsa
Sou culpado pois não finco tua carne
com agulhas de fino aço
nem te arranco um filho
nem tento suicídio
nem faço um carnaval de fogo
O silêncio
cheio de tédio e segredo
sopra diariamente
e nos seca a garganta
(Do livro Outubro, 1975)
domingo, 28 de julho de 2013
domingo, 21 de julho de 2013
quinta-feira, 4 de julho de 2013
segunda-feira, 1 de julho de 2013
sexta-feira, 28 de junho de 2013
segunda-feira, 24 de junho de 2013
S’amor non è
(Se amor não é - tradução abaixo)
Francesco Petrarca
S' amor non è, che dunque è quel ch' io sento?
Ma s'egli è amor, per Dio, che cosa e quale?
Se buona, ond è effetto aspro mortale?
Se ria, ond' è si dolce ogni tormento?
S'a mia voglia ardo, ond' è 'I pianto e 'I lamento?
S'a mal mio grado, il lamentar che vale?
O viva morte, o dilettoso male,
Come puoi tanto in me s'io nol consento?
E s'io 'I consento, a gran torto mi doglio.
Fra sì contrari venti, in frale barca
Mi trovo in alto mar, senza governo,
Sí lieve di saber, d'error sí carca,
Ch' i i' medesmo non so quel ch' io mi voglio,
E tremo a mèzza state, ardendo il verno
Se amor não é qual é este sentimento?
Mas se é amor, por Deus, que cousa é a tal?
Se boa por que tem ação mortal?
Se má por que é tão doce o seu tormento?
Se eu ardo por querer por que o lamento?
Se sem querer o lamentar que val?
Ó viva morte, ó deleitoso mal,
Tanto podes sem meu consentimento.
E se eu consinto sem razão pranteio.
A tão contrário vento em frágil barca,
Eu vou para o alto mar e sem governo.
É tão grave de error, de ciência é parca
Que eu mesmo não sei bem o que eu anseio
E tremo em pleno estio e ardo no inverno.
(Tradução de Jamil Almansur Haddad)
Francesco Petrarca
S' amor non è, che dunque è quel ch' io sento?
Ma s'egli è amor, per Dio, che cosa e quale?
Se buona, ond è effetto aspro mortale?
Se ria, ond' è si dolce ogni tormento?
S'a mia voglia ardo, ond' è 'I pianto e 'I lamento?
S'a mal mio grado, il lamentar che vale?
O viva morte, o dilettoso male,
Come puoi tanto in me s'io nol consento?
E s'io 'I consento, a gran torto mi doglio.
Fra sì contrari venti, in frale barca
Mi trovo in alto mar, senza governo,
Sí lieve di saber, d'error sí carca,
Ch' i i' medesmo non so quel ch' io mi voglio,
E tremo a mèzza state, ardendo il verno
Se amor não é qual é este sentimento?
Mas se é amor, por Deus, que cousa é a tal?
Se boa por que tem ação mortal?
Se má por que é tão doce o seu tormento?
Se eu ardo por querer por que o lamento?
Se sem querer o lamentar que val?
Ó viva morte, ó deleitoso mal,
Tanto podes sem meu consentimento.
E se eu consinto sem razão pranteio.
A tão contrário vento em frágil barca,
Eu vou para o alto mar e sem governo.
É tão grave de error, de ciência é parca
Que eu mesmo não sei bem o que eu anseio
E tremo em pleno estio e ardo no inverno.
(Tradução de Jamil Almansur Haddad)
domingo, 16 de junho de 2013
Arena de vidro
![]() |
| Imagem retirada do site http://www.brasildefato.com.br |
Entrelaçados por fios invisíveis
Desentocam velhos leões
Que, famintos, apresentam suas garras
Cicatrizes antigas se abrem
Nas ruas de sangue da história
Se erguem barricadas de flores
Contra os domadores da plebe
Vivem eles ainda no outrora
Antes mesmo da bateção de panelas
Quando o exílio era a misericórdia
Esquecem que os olhos de agora
Se espalham além dos confins
Das paredes de vidro da arena
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Miserável sina
Amo-o tanto
que o deixo ir
como se pudesse
orbitar sua aura
e viver assim
num vento em transe
Seria fácil
não fosse o cheiro
a exalar por dentro
o que me enlouquece
o homem forte
minha raiz em sangue
Farejo os cantos
miserável sina
busca em vão
na espiral de espelhos
nada é mais só
do que o esquecimento
O meu consolo
é seguir suas pistas
e vê-lo herói
conquistando o mundo
enquanto guardo
seu cansaço em mim
Amo-o tanto
que a dor sorri
mesmo caindo
nesse abismo insano
por viver a gana
desse amor sem fim
que o deixo ir
como se pudesse
orbitar sua aura
e viver assim
num vento em transe
Seria fácil
não fosse o cheiro
a exalar por dentro
o que me enlouquece
o homem forte
minha raiz em sangue
Farejo os cantos
miserável sina
busca em vão
na espiral de espelhos
nada é mais só
do que o esquecimento
O meu consolo
é seguir suas pistas
e vê-lo herói
conquistando o mundo
enquanto guardo
seu cansaço em mim
Amo-o tanto
que a dor sorri
mesmo caindo
nesse abismo insano
por viver a gana
desse amor sem fim
domingo, 9 de junho de 2013
domingo, 2 de junho de 2013
Incubus
Clio
Francesca Tricarico
Me tolhe do meu sonho sem aviso
diante do seu poder, me rendo
silencioso em mim se infiltra inexorável
em torrente caudalosa
de homem
de verbo
de gana
de sede
de mundo
percorre minhas veias em lavas sórdidas
me sorve, me devora, possuído
Toma meu rumo, minha fala, minha agonia
não sossega se não arranca o último grito
não se sacia se não esgota todo o sumo
de mulher
de terra
de canto
de gozo
de fundo
exaurida, perco o passo
perco o verso
ganho tudo
Alucinada pelo torpor que me mistura
entre tons audaciosos e sublimes
em rodopios arrastada por seu ímpeto
resta apenas o desejo da catarse:
ser sua palavra
diante do seu poder, me rendo
silencioso em mim se infiltra inexorável
em torrente caudalosa
de homem
de verbo
de gana
de sede
de mundo
percorre minhas veias em lavas sórdidas
me sorve, me devora, possuído
Toma meu rumo, minha fala, minha agonia
não sossega se não arranca o último grito
não se sacia se não esgota todo o sumo
de mulher
de terra
de canto
de gozo
de fundo
exaurida, perco o passo
perco o verso
ganho tudo
Alucinada pelo torpor que me mistura
entre tons audaciosos e sublimes
em rodopios arrastada por seu ímpeto
resta apenas o desejo da catarse:
ser sua palavra
sua carne
seu expurgo
Desesperada por não sair do seu domínio
me deposita lentamente no meu tempo
impregnada do seu ser fogo e vento
tudo aquilo que incorpora e não diz
Sinto dentro
o que rouba o fiato, a fala
excesso que desatina
Desesperada por não sair do seu domínio
me deposita lentamente no meu tempo
impregnada do seu ser fogo e vento
tudo aquilo que incorpora e não diz
Sinto dentro
o que rouba o fiato, a fala
excesso que desatina
o que não está na palavra... ainda...
Medo.
(in Nosside 2012 - Antologia del XXVIII Premio Mondiale di Poesia)
(in Nosside 2012 - Antologia del XXVIII Premio Mondiale di Poesia)
sábado, 25 de maio de 2013
Enigma
quinta-feira, 2 de maio de 2013
I limoni
(Eugenio Montale)
Ascoltami, i poeti laureati
si muovono soltanto fra le piante
dai nomi poco usati: bossi ligustri o acanti.
Io, per me, amo le strade che riescono agli erbosi
fossi dove in pozzanghere
mezzo seccate agguantano i ragazzi
qualche sparuta anguilla:
le viuzze che seguono i ciglioni,
discendono tra i ciuffi delle canne
e mettono negli orti, tra gli alberi dei limoni.
Meglio se le gazzarre degli uccelli
si spengono inghiottite dall'azzurro:
più chiaro si ascolta il sussurro
dei rami amici nell'aria che quasi non si muove,
e i sensi di quest'odore
che non sa staccarsi da terra
e piove in petto una dolcezza inquieta.
Qui delle divertite passioni
per miracolo tace la guerra,
qui tocca anche a noi poveri la nostra parte di ricchezza
ed è l'odore dei limoni.
Vedi, in questi silenzi in cui le cose
s'abbandonano e sembrano vicine
a tradire il loro ultimo segreto,
talora ci si aspetta
di scoprire uno sbaglio di Natura,
il punto morto del mondo, l'anello che non tiene,
il filo da disbrogliare che finalmente ci metta
nel mezzo di una verità
Lo sguardo fruga d'intorno,
la mente indaga accorda disunisce
nel profumo che dilaga
quando il giorno più languisce.
Sono i silenzi in cui si vede
in ogni ombra umana che si allontana
qualche disturbata Divinità
Ma l'illusione manca e ci riporta il tempo
nelle città rumorose dove l'azzurro si mostra
soltanto a pezzi, in alto, tra le cimase.
La pioggia stanca la terra, di poi; s'affolta
il tedio dell'inverno sulle case,
la luce si fa avara - amara l'anima.
Quando un giorno da un malchiuso portone
tra gli alberi di una corte
ci si mostrano i gialli dei limoni;
e il gelo del cuore si sfa,
e in petto ci scrosciano
le loro canzoni
le trombe d'oro della solarità.
(in Ossi di seppia, 1925)
Ascoltami, i poeti laureati
si muovono soltanto fra le piante
dai nomi poco usati: bossi ligustri o acanti.
Io, per me, amo le strade che riescono agli erbosi
fossi dove in pozzanghere
mezzo seccate agguantano i ragazzi
qualche sparuta anguilla:
le viuzze che seguono i ciglioni,
discendono tra i ciuffi delle canne
e mettono negli orti, tra gli alberi dei limoni.
Meglio se le gazzarre degli uccelli
si spengono inghiottite dall'azzurro:
più chiaro si ascolta il sussurro
dei rami amici nell'aria che quasi non si muove,
e i sensi di quest'odore
che non sa staccarsi da terra
e piove in petto una dolcezza inquieta.
Qui delle divertite passioni
per miracolo tace la guerra,
qui tocca anche a noi poveri la nostra parte di ricchezza
ed è l'odore dei limoni.
Vedi, in questi silenzi in cui le cose
s'abbandonano e sembrano vicine
a tradire il loro ultimo segreto,
talora ci si aspetta
di scoprire uno sbaglio di Natura,
il punto morto del mondo, l'anello che non tiene,
il filo da disbrogliare che finalmente ci metta
nel mezzo di una verità
Lo sguardo fruga d'intorno,
la mente indaga accorda disunisce
nel profumo che dilaga
quando il giorno più languisce.
Sono i silenzi in cui si vede
in ogni ombra umana che si allontana
qualche disturbata Divinità
Ma l'illusione manca e ci riporta il tempo
nelle città rumorose dove l'azzurro si mostra
soltanto a pezzi, in alto, tra le cimase.
La pioggia stanca la terra, di poi; s'affolta
il tedio dell'inverno sulle case,
la luce si fa avara - amara l'anima.
Quando un giorno da un malchiuso portone
tra gli alberi di una corte
ci si mostrano i gialli dei limoni;
e il gelo del cuore si sfa,
e in petto ci scrosciano
le loro canzoni
le trombe d'oro della solarità.
(in Ossi di seppia, 1925)
terça-feira, 30 de abril de 2013
domingo, 28 de abril de 2013
domingo, 17 de março de 2013
terça-feira, 12 de março de 2013
Outro dia
Olhou para o colar de pérolas
sabia que era tarde
as contas se perderam
entre risos e escombros
ressaca de anos vadios
passagem de ida sem volta
Procurava no espelho
o brilho, o fogo nos olhos
reflexo de áureos tempos
pueril e frágil esperança
estrela da desventura
quimera de um dia de glória
À frente, a velha janela
moldura do mesmo cenário
o mundo girando insano
tentando alcançar o horizonte
buscando um futuro insólito
correndo atrás do próprio rabo
Acendeu mais um cigarro
era o último da noite
mais um gole, mais um trago
rotina de vaga-lume
festa de barbitúricos
dormir seria muita sorte
O dia arregaçava o quarto
a vida lhe ria com escárnio
fechou os olhos e implorou
por um trapo de misericórdia
mas a pena se renovava
renascia pra viver a morte
sabia que era tarde
as contas se perderam
entre risos e escombros
ressaca de anos vadios
passagem de ida sem volta
Procurava no espelho
o brilho, o fogo nos olhos
reflexo de áureos tempos
pueril e frágil esperança
estrela da desventura
quimera de um dia de glória
À frente, a velha janela
moldura do mesmo cenário
o mundo girando insano
tentando alcançar o horizonte
buscando um futuro insólito
correndo atrás do próprio rabo
Acendeu mais um cigarro
era o último da noite
mais um gole, mais um trago
rotina de vaga-lume
festa de barbitúricos
dormir seria muita sorte
O dia arregaçava o quarto
a vida lhe ria com escárnio
fechou os olhos e implorou
por um trapo de misericórdia
mas a pena se renovava
renascia pra viver a morte
quinta-feira, 7 de março de 2013
Quando alcançaremos maturidade suficiente para deixar de acreditar que o mundo é dividido radicalmente em "vilões e mocinhos"? Claro, sem se esquecer que vilão é sempre o que se opõe ao que "EU" acho certo? Quando deixaremos de acreditar na existência de um grandíssimo "certo" que se opõe a um grandíssimo "errado"?
Partimos em defesa ferrenha deste ou daquele outro, como se pudéssemos eleger alguém que flutuasse acima da miséria humana.
Nada é mais pueril hoje que o debate entre esquerda e direita, quando os problemas de fundo, em ambos, é tão velho quanto à humanidade: "os de cima" e "os de baixo". Oposição concreta que beira cada vez mais o intolerável.
O sistema está implodindo.
A revolução é outra.
Partimos em defesa ferrenha deste ou daquele outro, como se pudéssemos eleger alguém que flutuasse acima da miséria humana.
Nada é mais pueril hoje que o debate entre esquerda e direita, quando os problemas de fundo, em ambos, é tão velho quanto à humanidade: "os de cima" e "os de baixo". Oposição concreta que beira cada vez mais o intolerável.
O sistema está implodindo.
A revolução é outra.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Poema mudo
Engana-se quem julga que poema
é palavra camuflada em fascínio
É nele que a palavra se desnuda
desmascarando o real equivocado
Quando se cala o poema, recolhido
o mundo atarantado entra em pânico
Ele sabe que por dentro do silêncio
se prepara o abalo inexorável
Não se deixe, assim, levar pelas palavras
que, tontas, não dizem o que sabemos
Pois de dentro d’alma irrompe o poema
que nos inventa muito antes que o digamos
é palavra camuflada em fascínio
É nele que a palavra se desnuda
desmascarando o real equivocado
Quando se cala o poema, recolhido
o mundo atarantado entra em pânico
Ele sabe que por dentro do silêncio
se prepara o abalo inexorável
Não se deixe, assim, levar pelas palavras
que, tontas, não dizem o que sabemos
Pois de dentro d’alma irrompe o poema
que nos inventa muito antes que o digamos
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Tra chi dice che tutto cambia
Marina Mariani *
e chi dice che l'essenziale
non è mutabile, e mai
muterà,
il colloquio non è impossibile,
la discussione si può fare.
Bisogna solo lasciare a casa i fucili,
sedersi sul sedile di pietra
sotto l'albero di fico,
bere ogni tanto un bicchiere di vino,
distrarsi all'andirivieni
del cane bracco o pointer,
o al canto d'un uccello,
all'odore di mosto o di sterco
o di mentuccia.
Alla fine ci si saluterà
con una stretta di mano
(non è poi tanto grave,
il cimitero è piccolo e bianco
e intorno giocano i bambini).
* Marina Mariani, poetessa napoletana, ha studiato Fisica e Filosofia;
morta questa settimana a Roma
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
São Paulo
![]() |
| (Foto da Galeria de Brivilati) |
São Paulo não demora, é todo dia.
No farol, retoco o lápis;
Rabo de olho, me dou conta:
Pauliceia em pleno rush... deusa encalacrada
Teia de nervos, seiva eletrizante.
Acordo em meio ao transe.
Automática.
Sempre alerta.
Toda misturada.
Respiro tua fumaça e suspiro...
Teus rangeres incessantes me garantem:
Está tudo bem
Estou em casa
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Ópera-bufa
Entorno o cálice, sem medo
Teu veneno brinda a minha derrota
Já não nego o meu desejo
Resistir é falsa pantomima
Engulo o teu olhar altivo, ego em riste, que vitória!
Meu amor desmancha-se em acordes
Restos mortais da ópera-bufa
Que encenamos atrás dos palcos
Por caminhos dissonantes nos perdemos
Procuro o meu amor
Teu fantasma
Sem história
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
domingo, 30 de dezembro de 2012
A porta
Fechada para balanço, olho para aquela porta que só vemos quando
fechamos os olhos. Está cheia de pó. Faz muito tempo que não me visito. Fico
ali, diante dela, indecisa quanto a abri-la; a decisão oscila entre a
curiosidade e o medo. Não me lembro de quando foi a última vez que a abri...
anos talvez? Mas o tempo da alma não está atrelado ao calendário e, portanto,
sinto que faz algumas eternidades.
A curiosidade vence o medo e estendo a mão para a maçaneta; giro-a
lentamente. A porta não se solta, está emperrada. Sei que para abri-la devo
reunir todas as minhas forças e destravá-la junto com a minha mandíbula ao som
de ranger de dentes. O que terei feito de mim?
A abertura é excruciante, o processo dói nas entranhas, nos
ossos; lembro-me de que a dor é sempre um parto: ao final, sente-se o alívio,
uma espécie de libertação pela missão cumprida. Então, evoco a deusa imaginária
que me habita, respiro fundo e me puxo para fora. Entrar em
mim é fazer com que eu saia. É provocar um novo big bang na minha história. É começar a chacoalhar meu esqueleto para espanar as
suas teias. É recontar os fatos sob o novo prisma, o desta mulher que
desconheço.
Imagens em flashes me ajudam a resgatar raízes. Algumas, podres,
precisam ser podadas; outras, vigorosas, transmutam meu gene. Olho,
maravilhada, para a transformação e, ao mesmo tempo, sinto pena da mulher
que devo deixar morrer. Na verdade, da mulher que devo matar: suas raízes
velhas obstruem caminhos, enroscam nos nervos, pesam nos ombros. É verdade que
sem ela, eu nada seria. Também é verdade que ela sempre fará parte de mim, mas
em miasmas... como todos os outros que me nutrem, miasmas do mundo, fantasmas
de histórias que precisam ser relidas, reinventadas, renascidas.
Todo nascimento é uma morte. É a constante negação do mundo e, por isso
mesmo, a chance de sua perpetuação (ahhh... filosofia!). É a abertura de uma
porta para o desconhecido. É a ousadia de se atirar para a vida que virá a seguir. O pior apego que
temos é aquele que sentimos por nós mesmos. Só posso sentir saudade daquilo que
não vigora...
Já que é assim, escancaro a porta! Liberto meus
fantasmas, meus miasmas, para que sirvam de adubo à substância amorfa do mundo.
Brado a minha vitória! Esvazio meus porões para finalmente sentir saudade de mim...
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
sábado, 22 de dezembro de 2012
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Mordaça
Arranho o céu da boca, mas não solto
este ardor, este ranger de dentes
Escrúpulo se mantém com rédea curta:
mordaça contendo a fúria...
este ardor, este ranger de dentes
Escrúpulo se mantém com rédea curta:
mordaça contendo a fúria...
sábado, 24 de novembro de 2012
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Amor sagrado
![]() |
| Amor Sacro e Amor Profano - Tiziano |
De todos os meus profanos amores,
és o sagrado, o inconfesso
O que dita, a cada verso,
o que hei de ser,
sem que eu permita
O consentimento é compulsório
desde o pacto:
o toque inesperado,
involuntário,
cegamente desejado
Do encontro planejado pelo Acaso,
fez-se a trama:
cada instante costura
um novo ponto em nossa carne
O verbo nos mistura
O tempo nos degusta
Pobres amantes condenados!
Buscamos extasiados saciar a nossa fome,
a ânsia do próximo sabor inusitado:
qual gosto nosso ainda não foi provado...
domingo, 18 de novembro de 2012
Único
Enrolo-me de novo em minhas cismas,
emaranhado de espinhos.
A cada movimento me firo,
sem saber se estou achando a saída
ou mergulhando mais fundo.
Encolho-me;
como se fosse possível
adentrar nas próprias estranhas.
Como se fosse plausível
rasgar passagens
que me levassem ao cerne de tudo.
Faço de conta que estou no colo
de alguém que me protege do frio,
que consiste nesse insuportável
reconhecer-se único no universo.
Ninguém sabe de mim.
Nem eu.
domingo, 4 de novembro de 2012
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Esfinge
Procura-me amanhã
quando a noite tiver virado a página
e a lápide já estiver escrita
Nem cem mil anos de areia cobrirão
essa vertente que transborda, incessante,
a solidão do mar aberto no meu peito
Os ecos do teu nome se perderam no abandono
Meu destino é caçá-los para ouvir a tua ausência
e, do som desse vazio, moldar a tua esfinge
Ela será meu norte na minha cabeceira...
Frammenti atemporali
La sua mano teneva un mistero
svelato solo nel mio collo
I suoi effetti sono stati soltanto l'inizio
di un desiderio senza fine...
svelato solo nel mio collo
I suoi effetti sono stati soltanto l'inizio
di un desiderio senza fine...
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
domingo, 21 de outubro de 2012
Não passou
(Carlos Drummond de Andrade)
Passou?
Minúsculas eternidades
deglutidas por mínimos relógios
ressoam na mente cavernosa.
Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz.
A mão - a tua mão, nossas mãos -
rugosas, têm o antigo calor
de quando éramos vivos. Éramos?
Hoje somos mais vivos do que nunca.
Mentira, estarmos sós.
Nada, que eu sinta, passa realmente.
É tudo ilusão de ter passado.
Passou?
Minúsculas eternidades
deglutidas por mínimos relógios
ressoam na mente cavernosa.
Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz.
A mão - a tua mão, nossas mãos -
rugosas, têm o antigo calor
de quando éramos vivos. Éramos?
Hoje somos mais vivos do que nunca.
Mentira, estarmos sós.
Nada, que eu sinta, passa realmente.
É tudo ilusão de ter passado.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
domingo, 7 de outubro de 2012
Saudade
se encontram no final da tarde
Me esqueço.
Fico à mercê desse amor sem dono
andando descalço no tombadilho
Tento reter o último gosto
de deleite: a tua lembrança
Saudade.
A brisa da noite
traz teus ares do leste
Inspiro sorvendo mares
Suspiro exalando amores
Além do mar
está meu horizonte
Em ti,
o infinito
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Outubro
Nei Duclós
Trago a nova: eu mudo
lento, e é tudo
Sinto ser assim
por estações: aos turnos
Posso voltar
ao ponto de partida
mas luto
Sei que vem outubro
Flores, fruto de seiva
romperão no mundo
(Trabalho duro:
sugar de pedras
rasgar os caules
colher ar puro)
Lento e bruto
eu mudo
Sei que vem
outubro
Trago a nova: eu mudo
lento, e é tudo
Sinto ser assim
por estações: aos turnos
Posso voltar
ao ponto de partida
mas luto
Sei que vem outubro
Flores, fruto de seiva
romperão no mundo
(Trabalho duro:
sugar de pedras
rasgar os caules
colher ar puro)
Lento e bruto
eu mudo
Sei que vem
outubro
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