domingo, 29 de abril de 2012
Quando o belo amadurece
![]() |
| Foto de Erwin Olaf |
sábado, 28 de abril de 2012
Silêncio
![]() |
| Obra de Monet |
É uma tristeza tão linda
a lágrima escorre o vazio
pra dentro do peito sem fundo
e leva o sonho perdido
por uma ciranda serena
qual pintura de Monet
Os olhos fechados mergulham
em névoas de uma sinfonia
embriagando a alma na brisa
do tempo em que o mundo vadio
não passava de um quintal sem dono
onde a gente brincava feliz
As janelas do pensamento
abriam-se efusivamente
pra varandas estendidas ao mar
O cheiro da maresia
com suas ondas repletas de histórias
inundava os espaços sem mais
Não volto pro mundo sem antes
beber desse breve momento
de gozo, de choro e de paz
No gesto que rompe o segundo
guardo a custo a miragem
do silêncio em suspenso no ar
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Abismo
Se você pensar em mim, eu sobrevivo
não é uma questão de fogo, mas de fôlego
Basta que se lembre de mim e eu aguento
não pela força, mas pelo estímulo
Se você lutar por mim, eu me entrego
não por me deixar levar, mas por fé no dorso
Basta que olhe para mim e eu flutuo
não pra ficar à toa, mas pra saltar no abismo
Um sussurro, um bilhete insosso,
qualquer gesto teu me salva
por um dia, por um segundo?
Em cada tempo que ressuscito,
basta um vestígio da tua existência
pra minha escolha ter sentido
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Desabafo
Um dos ápices (sim, porque existem vários) da desgraça humana é o entrelaçamento da ignorância com a falta de consciência, o que equivale a dizer que o "ser" não tem consciência da própria ignorância. Aí, o(a) néscio(a) lê uma frase de um filósofo, um intelectual, um pensador qualquer e não só crê que a entendeu, como dela conclui que conhece todo o pensamento do autor. Com "absoluta propriedade", passa então a citar o gênio no meio das suas imbecilidades, como se realmente soubesse do que está falando.
E o pior: leva consigo a sua escória de seguidores esfuziados com o disparate!
É preciso mesmo exercitar a paciência.
MUITA PACIÊNCIA.
E o pior: leva consigo a sua escória de seguidores esfuziados com o disparate!
É preciso mesmo exercitar a paciência.
MUITA PACIÊNCIA.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
terça-feira, 24 de abril de 2012
Pra não dizer que eu não falei da alegria...
Lembro-me daquela praia
e da primeira vez que chorei ao ter de me despedir do mar
Lembro-me também de meu pai pescando ao pôr-do-sol com seu chapéu
e de capturar aquele raro instante do seu semblante sereno e feliz
Lembro-me de minha mãe cantarolando cantiga de ninar enquanto passava roupa
e de quanto me sentia segura, implorando pra que aquele momento não acabasse nunca mais
Lembro-me de dormir no mesmo quarto com meu irmão, que nas minhas infindáveis noites insones dormia como um anjo
e, ao olhá-lo, eu podia fazer de conta que não estava sozinha
Lembro-me da primeira vez que alguém confiável me ensinou a transgredir saudavelmente as regras
e de como foi delicioso me lambuzar toda comendo aquele doce com as mãos
Lembro-me da primeira vez que andei de bicicleta e não caí,
contrariando todas as probabilidades
Lembro-me do primeiro beijo que não foi apaixonado, mas foi melhor (foi roubado)
e desse susto que me fez sonhar por noites inteiras
Lembro-me daquele olhar que primeiro, não entendi, segundo, não acreditei,
mas que depois me convenceu que eu era a mulher mais linda do mundo
Lembro-me do primeiro sonho impossível realizado: o grande amor
o que me fez acreditar que tudo era possível
Lembro-me do primeiro salário que me trouxe a sensação de poder
e me deixou saborear por alguns instantes uma fantasia de liberdade
Lembro-me de Natais
e mesmo que Deus não exista, eu Lhe sou muito grata por nos dar esses pretextos
Lembro-me também de acreditar que o ano que apenas se iniciava era novo
e que então tudo seria diferente e melhor
Lembro-me de me culpar por não ser o que devia ser
e, de repente, me pegar sorrindo sozinha no meio da noite ao ajeitar os cobertores de três meninas que dormiam
Lembro-me que pari
e que, inacreditavelmente, ele nasceu e o mundo nunca mais foi o mesmo
Lembro-me de outra praia, do riso solto do filho de quatro anos a correr em círculos com seu pai em torno a nós,
Lembro-me da primeira vez que alguém confiável me ensinou a transgredir saudavelmente as regras
e de como foi delicioso me lambuzar toda comendo aquele doce com as mãos
Lembro-me da primeira vez que andei de bicicleta e não caí,
contrariando todas as probabilidades
Lembro-me do primeiro beijo que não foi apaixonado, mas foi melhor (foi roubado)
e desse susto que me fez sonhar por noites inteiras
Lembro-me daquele olhar que primeiro, não entendi, segundo, não acreditei,
mas que depois me convenceu que eu era a mulher mais linda do mundo
Lembro-me do primeiro sonho impossível realizado: o grande amor
o que me fez acreditar que tudo era possível
Lembro-me do primeiro salário que me trouxe a sensação de poder
e me deixou saborear por alguns instantes uma fantasia de liberdade
Lembro-me de Natais
e mesmo que Deus não exista, eu Lhe sou muito grata por nos dar esses pretextos
Lembro-me também de acreditar que o ano que apenas se iniciava era novo
e que então tudo seria diferente e melhor
Lembro-me de me culpar por não ser o que devia ser
e, de repente, me pegar sorrindo sozinha no meio da noite ao ajeitar os cobertores de três meninas que dormiam
Lembro-me que pari
e que, inacreditavelmente, ele nasceu e o mundo nunca mais foi o mesmo
Lembro-me de outra praia, do riso solto do filho de quatro anos a correr em círculos com seu pai em torno a nós,
deixando-nos, eu e a avó, tontas de tanta paz
Lembro-me de que ele foi embora, me matando naquela noite
e que depois voltou de joelhos
Lembro-me de todos os “perdão” e “obrigado”
que nem sempre remetem a uma alegria, mas fazem uma deliciosa compressa quente no coração
Lembro-me de acreditar desconfiando
e de explodir de exaltação ao confirmar: “Eu sabia! Por que duvidei?”
Lembro-me de olhares silenciosos de aprovação,
mesmo que as palavras não dessem o braço a torcer
Lembro-me do dia que, surpreendendo a plateia de “experts”,
meu projeto de iniciante foi super elogiado (yyyessssss!)
Lembro que, quando já parecia impossível, passei no vestibular, tornei-me bacharel
e que depois, mais uma vez inexplicavelmente, ganhei uma bolsa de estudos e concluí o mestrado em filosofia
Lembro-me de uma incrível festa-surpresa de despedida
que incluiu algumas pessoas pra sempre no meu coração
Lembro-me de ombros amigos, de choros compartilhados, de gargalhadas intermináveis às vezes regadas a vinho ou cerveja
e de tanto amor recebido de um modo que jamais pensei merecer
Lembro-me de presentes que nunca poderei retribuir
mesmo porque amor não se retribui, apenas se sente
Lembro-me de pisar na Itália pela primeira vez
e de me deixar invadir por todos os cheiros tão meus, matando a saudade do que ainda não tinha vivido
Lembro-me de todas as vezes que me olhei em reflexos de janelas (de casas, trens, ônibus), observando as mudanças em meu rosto
e de todos os meus sorrisos sempre que reencontrei o mesmo brilho no olhar
Lembro-me de tantas coisas que já imaginei, de todos os futuros que já inventei
e me pego sorrindo com um “quem sabe?” entre os dentes
Lembro-me de que ele foi embora, me matando naquela noite
e que depois voltou de joelhos
Lembro-me de todos os “perdão” e “obrigado”
que nem sempre remetem a uma alegria, mas fazem uma deliciosa compressa quente no coração
Lembro-me de acreditar desconfiando
e de explodir de exaltação ao confirmar: “Eu sabia! Por que duvidei?”
Lembro-me de olhares silenciosos de aprovação,
mesmo que as palavras não dessem o braço a torcer
Lembro-me do dia que, surpreendendo a plateia de “experts”,
meu projeto de iniciante foi super elogiado (yyyessssss!)
Lembro que, quando já parecia impossível, passei no vestibular, tornei-me bacharel
e que depois, mais uma vez inexplicavelmente, ganhei uma bolsa de estudos e concluí o mestrado em filosofia
Lembro-me de uma incrível festa-surpresa de despedida
que incluiu algumas pessoas pra sempre no meu coração
Lembro-me de ombros amigos, de choros compartilhados, de gargalhadas intermináveis às vezes regadas a vinho ou cerveja
e de tanto amor recebido de um modo que jamais pensei merecer
Lembro-me de presentes que nunca poderei retribuir
mesmo porque amor não se retribui, apenas se sente
Lembro-me de pisar na Itália pela primeira vez
e de me deixar invadir por todos os cheiros tão meus, matando a saudade do que ainda não tinha vivido
Lembro-me de todas as vezes que me olhei em reflexos de janelas (de casas, trens, ônibus), observando as mudanças em meu rosto
e de todos os meus sorrisos sempre que reencontrei o mesmo brilho no olhar
Lembro-me de tantas coisas que já imaginei, de todos os futuros que já inventei
e me pego sorrindo com um “quem sabe?” entre os dentes
Lembro-me de sentir uma profunda gratidão
e de chorar convulsivamente feliz
Lembro-me de alguém que me tocou a alma
e eu nunca mais fui a mesma: finalmente, fui eu mesma
Lembro-me de alguém que me tocou a alma
e eu nunca mais fui a mesma: finalmente, fui eu mesma
Lembro-me “daquele” olhar
Lembro-me de abraços
Lembro-me de músicas e de poesias
(essas coisas dispensam explicação)
E me lembrando de tudo isso e de mim,
desafio o tempo, apostando no próximo instante...
Lembro-me de abraços
Lembro-me de músicas e de poesias
(essas coisas dispensam explicação)
E me lembrando de tudo isso e de mim,
desafio o tempo, apostando no próximo instante...
domingo, 22 de abril de 2012
Fragmento 220412
Mal entrevi a fresta do mundo quando abri os olhos.
Era claro demais para séculos de sombras.
Não era possível abarcar a imensidão que explodia pelo rasgo da lucidez num segundo.
Suguei aquele golpe de ar, soco rebatido no peito.
Era hora.
Retomei a força do susto e me lancei para o voo... sem volta.
Era claro demais para séculos de sombras.
Não era possível abarcar a imensidão que explodia pelo rasgo da lucidez num segundo.
Suguei aquele golpe de ar, soco rebatido no peito.
Era hora.
Retomei a força do susto e me lancei para o voo... sem volta.
sábado, 21 de abril de 2012
domingo, 8 de abril de 2012
Bruma
Abre os olhos e me vê: nua
alma exposta sem rodeios
natureza de corpo inteiro
manhã de palma aberta
Na penumbra, uma pintura:
tua vista meio turva
toca a pele e eriça o pelo,
chispa oculta que incendeia
Entre o braço e a certeza
do enlace sem limite
uma doçura inunda o curso
No estribilho deflagrado
sorves lento a chama pura
vertendo bruma em desmaio...
sábado, 7 de abril de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Demiurgo
O verso que canto só tu entendes, Dionísio
é tua mão que o escreve enquanto sangro Da carne do mundo, me trouxeste à tona
no teu âmago, me entranho
por teu fôlego, respiro
Não sei me dizer sem ti, demiurgo
teu olhar revela a minha fala
Teus sinais mapeiam meus estigmas
no teu sal, me ralo
no teu mel, me curo
Nada mais me resta que desaguar em ti, desatino
no teu ser, naufrago minhas dúvidas
Da tua vontade, brota meu desígnio
por tua dor, me rendo
por teu amor, eu vingo
Não sei me dizer sem ti, demiurgo
teu olhar revela a minha fala
Teus sinais mapeiam meus estigmas
no teu sal, me ralo
no teu mel, me curo
Nada mais me resta que desaguar em ti, desatino
no teu ser, naufrago minhas dúvidas
Da tua vontade, brota meu desígnio
por tua dor, me rendo
por teu amor, eu vingo
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Desperdício
Tara sem atino
abraço sem enlace
beijo seco
Sonho no escuro
grito surdo
aborto do desejo
Amor de marionete
máscara transparente
reflexo trincado
Salto sabotado
trilha sem saída
fuga para o abismo
Impulso abandonado
tesouro esquecido
fingir que a dor não tem sentido
abraço sem enlace
beijo seco
Sonho no escuro
grito surdo
aborto do desejo
Amor de marionete
máscara transparente
reflexo trincado
Salto sabotado
trilha sem saída
fuga para o abismo
Impulso abandonado
tesouro esquecido
fingir que a dor não tem sentido
terça-feira, 3 de abril de 2012
Fragmento 030412
“Não queria pensar
nisso agora; voltou para o cheiro de capim...”
Concentrou-se: cheiro
de capim, cheiro de capim... inútil.
As buzinas, os faróis,
o caos da hora do rush o tragavam de volta para aquele inferno e ele sentia
dissolver-se na multidão. Parecia que pela primeira vez observava de verdade aquela
miscelânea de gente. O que era aquilo? Frenesi de olhos ávidos de sabe-se lá o
quê e cegos para o entorno. Ouvidos conectados em celulares ou mp3. Bocas com
gosto de chiclete gasto falando com alguém que não está ali, como se falassem
sozinhas. Narizes entupidos de cheiros cruzados. Contatos imediatos com a ausência:
de tato. Sentidos embotados. Lembrou-se da canção do Chico... “Construção”:
“seus olhos embotados de cimento e tráfego”. É, a canção ainda era válida, com
a diferença que agora eram todos os sentidos que estavam embotados. Mas, pensando
bem, ao menos tato ainda existia sim: a gente agora não pede mais licença; passa
por cima. E então é possível sentir o “contato humano”
atropelando calçada a fora.
Contato humano: o que
era isso? Toque de corpos, pele? Lembrou-se da garota da última vez: pele
branca, cabelo vermelho, beleza de revista, celular gravado pela manhã antes
dela desaparecer... qual era o nome dela mesmo? Sentiu frio. O termômetro
digital no meio da avenida marcava 26ºC; quente para as 19:30 h de um dia de
outono.
Outono... a janela de
casa, no cair da tarde, emoldurava a paisagem: as árvores se perpetuavam como
estátuas nuas em contornos imprevisíveis; o vento esculpia imagens tão etéreas quanto
efêmeras ao erguer as folhas do chão. O cheiro de feijão se infiltrava na
fantasia do mundo fantasmagórico daquela hora outonal, aumentando o apetite e trazendo
a sensação de realidade de que mais um dia terminaria em paz. Cheiro de
feijão... Nunca mais sentiu "aquele" cheiro de feijão.
Ele se deu conta de que
estava com fome, mas era melhor esquecer. Não ia jantar, não dava: tinha que
esperar o pagamento. Ainda bem que faltava pouco: quatro dias. Começou a pensar
no que iria jantar dali a quatro dias... humm... ao menos por um dia, ele iria
comer gostoso de novo. Péssima ideia ter prestado atenção na fome; enquanto não
se pensa nela, ela parece menor, um incômodo não identificado. Agora, não ia
ser fácil despistar a danada. Pensando bem, achava que tudo era meio assim: o
que não é bom, a gente ignora, faz de conta que não existe. Afinal, a gente
inventa tudo, não é mesmo? Pra que inventar de sentir coisa ruim?
Mas aquela gente ali
absurda, ele não tinha inventado não. E ele era completamente ignorado por
aquela multidão. Sinal que, para eles, ele não devia ser boa coisa... Essa
sensação não era boa. Pra que ficar pensando nisso? Era melhor fazer como eles:
não ver ninguém. Pensando bem, ele sempre tinha feito isso... por que agora
tinha cismado de VER todo mundo, tudo aquilo?
Sentiu a pressão do
povo se aglomerando em volta, esperando o semáforo abrir para atravessar a
avenida. O “homenzinho vermelho” está queimado, resta esperar acender o verde. O
empurra-empurra é incômodo; as pessoas mal se olham e quando o fazem é com cara
de saco cheio. De quê? Talvez estejam cansados e com fome como ele; talvez
também sintam o frio da solidão. Talvez a cara de “poucos amigos” seja uma máscara
que deva servir como armadura caso alguém resolva saber realmente “quem é
você”.
E, realmente, quem
era ele? Ele também fazia aquela cara de “poucos amigos”, embora tudo o que
quisesse naquele momento era um prato sincero e um abraço quentinho. Foi então
que ele a viu...
domingo, 1 de abril de 2012
Abraço nu
Preciso de um canto só
no quarto escuro
no seio da noite
no veio da morte
que me acolha enquanto me dispo e renasço
Preciso de um abraço nu
de corpo inteiro
de aperto meigo
de braço forte
que me sustente enquanto choro e arregaço
Preciso de um olhar em mim
que me guarde
que me oriente
que me nutra
pra me salvar da realidade que me mata
Fragmentos 010412
Mentira em homenagem ao dia: cada um tem o que merece.
Mentira. É sempre tudo mentira quando convém.
Prendo o choro e solto o riso, lamentando o equívoco...
Sentimos duas dores misturadas como se fosse uma:
a falta do ser amado e a falta de ser amado.
Fiz um pacto secreto com o espelho. Tá lendo o que? Isso é entre ele e eu.
Cansadíssima, mas a vida insiste...
Nossos corpos não são fronteiras, são pontes.
(às vezes, realmente me confundo... alguém já disse isso? é tão meu que não sei!!!)
(às vezes, realmente me confundo... alguém já disse isso? é tão meu que não sei!!!)
Loucura é o estado normal de quem se liberta das convenções.
Você passou tão perto e tão rápido... teu vento levantou o meu vestido.
Tinha duas escolhas; preferiu não escolher.
Antigamente eu esperava ansiosamente pelo domingo; hoje, ele me desespera.
Cruzada
![]() |
| Dois corpos - Escultura de Michael Wilkinson |
Não sei andar sozinho por essas ruas
sei do perigo que nos rodeia pelos caminhos
Não há sinal de sol mas tudo me acalma
no seu olhar
Não quero ter mais sangue morto nas veias
quero o abrigo do seu abraço que me incendeia
Não há sinal de cais mas tudo me acalma
no seu olhar
Você parece comigo
nenhum senhor te acompanha
você também se dá um beijo
dá abrigo
Flor nas janelas da casa
olho no seu inimigo
você também se dá um beijo
dá abrigo
Se dá um riso
dá um tiro
Não quero ter mais sangue morto nas veias
quero o abrigo do seu abraço que me incendeia
Não há sinal de paz mas tudo me acalma
no seu olhar
Você parece comigo
nenhum senhor te acompanha
você também se dá um beijo
dá abrigo
Flor nas janelas da casa
olho no seu inimigo
você também se dá um beijo
dá abrigo
Se dá um riso
dá um tiro
no seu olhar
Não quero ter mais sangue morto nas veias
quero o abrigo do seu abraço que me incendeia
Não há sinal de cais mas tudo me acalma
no seu olhar
Você parece comigo
nenhum senhor te acompanha
você também se dá um beijo
dá abrigo
Flor nas janelas da casa
olho no seu inimigo
você também se dá um beijo
dá abrigo
Se dá um riso
dá um tiro
Não quero ter mais sangue morto nas veias
quero o abrigo do seu abraço que me incendeia
Não há sinal de paz mas tudo me acalma
no seu olhar
Você parece comigo
nenhum senhor te acompanha
você também se dá um beijo
dá abrigo
Flor nas janelas da casa
olho no seu inimigo
você também se dá um beijo
dá abrigo
Se dá um riso
dá um tiro
Você parece comigo
nenhum senhor te acompanha
você também se dá um beijo
dá abrigo
nenhum senhor te acompanha
você também se dá um beijo
dá abrigo
Você parece comigo
nenhum senhor te acompanha
você também se dá um beijo
dá abrigo
nenhum senhor te acompanha
você também se dá um beijo
dá abrigo
Você também se dá um beijo
dá abrigo
dá abrigo
sexta-feira, 30 de março de 2012
Patapàn
quell'odore di colline
sono lucine o sono stelle
quelle cose dove la campagna ha fine
ti ricordi pa'
mi tiravi per la mano
sul tuo passo più costante
tu un gigante e io un nano
mentre davi un nome agli alberi e alle piante
e raccontavi fatti
e misteri di laggiù
così per lunghi tratti
e se non ce la faccio più
tu mi trovavi un legno
e io ci montavo su
con quel cavallo e un regno e uno schiocco e patapàn
al galoppo e all'avventura
sotto a quel tuo naso grosso
messo come prua e non avevo mai paura
dentro la tua scia ti stavo sempre addosso
e nella sera chiara
da lontano l'armonia
di un suono di fanfara
di un tam tam di prateria
e le tue braccia forti
che indicavano la via
ai miei ginocchi storti e agli occhi e patapàn
ciao pa'
ma quante strade di sentieri bianchi
e quante ancora e ancora no non siamo stanchi
lo vedi come corro così veloce
dietro al tuo fischio e quella voce
se resti indietro aspetto
sotto la croce e scoppia il petto e in coppia
sotto la croce e scoppia il petto e in coppia
e andiamo avanti e patapàn
e sul ciglio di un burrone
tu facevi quella finta
di una spinta in giù e io ridevo col fiatone
e mi alzavi su nella camicia stinta
e ti sentivo dire
di chi c'è e chi non c'è più
e non poter capire
perché non è come un tram
su cui chi si vuol bene
sale e viaggia e scende giù
ma tutti quanti assieme per sempre patapàn
ciao pa'
così hai saltato giù e ora sei in volo
ti sei fermato un giorno e io corro solo
perché non m'hai aspettato e stai lontano
e non mi prendi più per la mano
che senza un legno adesso un po' più piano vado
e spesso cado
e spesso cado
ma andiamo avanti
ciao pa'
ma dimmi dove è che stiamo andando
e questa vita dove mai ci sta portando
non era questo il mondo che volevamo
e non è il cielo che sognavamo
non è quel tempo, è adesso
in cui dobbiamo stare
e lo stesso andare
e andiamo avanti e patapàn
quarta-feira, 28 de março de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
Fragmento 270312
Vasculhava pela memória,
recolhendo seus cacos, tentando reconstruir o quebra-cabeça.
A barba cinza de seu
pai amornava a manhã, enquanto a lenha era talhada em pequenos tocos. Os olhos
azuis e inabaláveis de sua mãe instauravam a concretude de mais um dia. O
cheiro acolhedor de café, depois de invadir os quartos, se esparramava varanda a
fora, inundando a plantação com o ar energizante de "bom dia". O burburinho
preguiçoso de seus irmãos, a escola e a menina com cachos dourados
impecavelmente assentados pela tiara de cetim, o Nico (seu melhor amigo até o
ano seguinte), tudo isso lhe devolvia vagarosamente a respiração, o volitar de
um tempo que lhe permitia ter a pseudossensação de alguma certeza.
Tudo era normal e era
bom que fosse assim. Os dias apenas recomeçavam sempre do mesmo ponto: o cheiro
de café. E terminavam sempre do mesmo jeito: sonhos imersos no cheiro de palha
antes de dormir.
Cheiros... Qual era o
cheiro dele? Engraçado como não identificamos nosso próprio cheiro.
Mas um dia ele iria
se livrar daquele cheiro de capim; isso sim. Ele sempre ouvia alguém falar na escola
e nas festas da cidade: “aqui, ninguém tem chance de ser alguém... nasce, vive
e morre joão-ninguém... único jeito é tentar a vida na cidade grande: ali sim é
que tudo acontece!”
Acontece... não
queria pensar nisso agora. Voltou pro cheiro de capim... verde fresco,
melhor ainda depois da chuva! Açoite de vento a estalar gotículas de água e de
vida; verdes crinas reluzentes a vibrar o manto da terra. Essa ária verde
inflava seus pulmões e ele flutuava por cima do matagal: era rei do céu e do
sol! Nada o podia impedir de ser senhor e forasteiro no seu próprio reino.
Forasteiro, pois sempre tinha algo novo de si mesmo ainda por desvendar e
senhor do seu nariz, mesmo que ele ainda nem soubesse limpá-lo direito.
Seu nariz, agora
eternamente vermelho em constante luta com o incansável lenço de papel: maldita
rinite, mal da cidade grande...
NÃO!
Não queria pensar
nisso agora; voltou pro cheiro de capim...
domingo, 25 de março de 2012
Hipocondria
![]() |
| Senécio - Paul Klee |
Não pedia muito, só um pouco de sanidade
Tinha, numa mão, duas ou três incertezas
na outra, uma espera infinda
Não sabia o que menos importava:
se seu centro ou o universo
se sua vida ou sua escolha
se seu medo ou sua fantasia
No olhar, uma procura cega,
a pergunta da alma in natura:
qual o mal pra tanta cura?
segunda-feira, 19 de março de 2012
domingo, 18 de março de 2012
sexta-feira, 16 de março de 2012
À deriva
Flutuava no tempo como se não existisse.
Atordoado.
Não lembrava mais de si mesmo?
Aflito, fechou os olhos segurando-os com firmeza, se curvou pra dentro (o corpo todo, como quem mergulha nas próprias entranhas): tinha que tocar e firmar o epicentro de onde se propagava aquele turbilhão de rostos...
tantos rostos passando freneticamente pela sua mente, tão estranhos...
Qual era o dele?
Esforço inútil.
Só lhe restava abandonar-se mesmo...
A sensação de estar à deriva, liberdade que sempre sonhara, se transformava em pura náusea.
Não tinha pouso.
Também não tinha medo, só insônia.
A angústia maior era não conseguir despertar dela.
Tanto fazia se era dia ou noite; tanto fazia se era dentro ou fora:
nada o salvaria daquele perdurar sem dono,
da condenação de ser invariavelmente morno,
da impotência de ser mero fantoche entregue à insensatez da rotina.
Devia ser outono.
Pensou em voltar pra marquise... era sempre a mesma?
(como se alguma coisa pudesse ser sempre a mesma)
A marquise era sempre a mesma não importava qual fosse.
Toda marquise era estranha e, portanto, era sempre igual.
A gente se acostuma com tudo na inexorável repetição: quando a rotina é se deparar sempre com coisas estranhas, nada mais espanta.
Sempre... sempre... soava como uma bigorna.
Sempre.
Tudo igual.
Que horas eram?
Tanto fazia.
As horas não contadas se abriam em imensos vazios por onde seu pensamento oscilava lentamente entre o sim e o não...
sim...
não...
sim...
não...
Tempo: pêndulo das incertezas.
A meia-noite tanto fazia como o meio-dia.
A meia vida tanto fazia como o meio lanche.
Pensando bem, tanto fazia também qual era o seu rosto entre tantos...
tão estranhos e, portanto, tão iguais.
É.
Ficou mais calmo.
Resolveu voltar pra marquise.
Já era hora.
Também não tinha medo, só insônia.
A angústia maior era não conseguir despertar dela.
Tanto fazia se era dia ou noite; tanto fazia se era dentro ou fora:
nada o salvaria daquele perdurar sem dono,
da condenação de ser invariavelmente morno,
da impotência de ser mero fantoche entregue à insensatez da rotina.
Devia ser outono.
Pensou em voltar pra marquise... era sempre a mesma?
(como se alguma coisa pudesse ser sempre a mesma)
A marquise era sempre a mesma não importava qual fosse.
Toda marquise era estranha e, portanto, era sempre igual.
A gente se acostuma com tudo na inexorável repetição: quando a rotina é se deparar sempre com coisas estranhas, nada mais espanta.
Sempre... sempre... soava como uma bigorna.
Sempre.
Tudo igual.
Que horas eram?
Tanto fazia.
As horas não contadas se abriam em imensos vazios por onde seu pensamento oscilava lentamente entre o sim e o não...
sim...
não...
sim...
não...
Tempo: pêndulo das incertezas.
A meia-noite tanto fazia como o meio-dia.
A meia vida tanto fazia como o meio lanche.
Pensando bem, tanto fazia também qual era o seu rosto entre tantos...
tão estranhos e, portanto, tão iguais.
É.
Ficou mais calmo.
Resolveu voltar pra marquise.
Já era hora.
quinta-feira, 8 de março de 2012
Vênus às avessas
![]() |
| Vênus de Botticelli |
sou a chance que tens de escapar do teu destino.
Nem a beldade com quem sonhas acordado;
o que sou, na verdade, nem sonhas.
Também não sou a "santa" que te pôs no mundo;
bendita sou eu que te carrego bruto.
Nem a gueixa pra que te deleites;
e sim a chama que te despe a alma.
Não sou a princesa que acalentas;
sou a amazona que te atravessa o tino.
Nem a escrava que te beija os pés;
mas tua lágrima vertida em flor.
Não sou a rainha por quem morrerias;
te salvo por um triz da tua vida exangue.
Muito menos a deusa que tu adoras;
mas guerreira à espreita pra quem pedes arrego.
Não sou sex symbol, nem boneca de luxo;
te desejo pelo cheiro e pelo pulso.
Não adianta, não sou nada do que esperas:
só a surpresa no fim da festa.
A mulher que pediste a Deus? Não...
tu não merecerias tamanho castigo.
Enfim, pra ficar bem claro:
Não sou a dita, nem a pantera
não sou a outra, nem a patroa
nem mignon, nem bonitinha
nem linda, nem gostosinha
Não sou a dona da pensão, nem cortesã de mensalão
não sou matrona austera, nem companheira eterna
nem femme fatale, nem galinha pro teu bico
nem Angelina, nem Amélia, nem Pagu, nem mulher à toa
Sou só mulher e sou das boas.
Sou só assim...
e se me amas...
sou tua.
não sou a outra, nem a patroa
nem mignon, nem bonitinha
nem linda, nem gostosinha
Não sou a dona da pensão, nem cortesã de mensalão
não sou matrona austera, nem companheira eterna
nem femme fatale, nem galinha pro teu bico
nem Angelina, nem Amélia, nem Pagu, nem mulher à toa
Sou só mulher e sou das boas.
Sou só assim...
e se me amas...
sou tua.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Desabafo do dia: Virtuose
Virtuose, segundo o Aurélio:
1. Músico de grande talento; virtuoso. 2. Toda pessoa que domina em alto grau a técnica de uma arte. 3. Pej. Aquele que tem, em arte, habilidade meramente malabarística, destituída de sentimento, probidade interpretativa etc.
Não gosto do sentido pejorativo.
Alguns conceitos não deveriam jamais ser banalizados; perdem seu sentido... é uma pena.
Virtuose, por exemplo, é uma palavra que deveria ser conservada; destinada somente a quem verdadeiramente a merece. Qual é o critério para seu uso? Talvez, o conhecimento "suficiente" para se ter o mínimo de discernimento. Quanto de conhecimento é necessário, o que podemos considerar como "suficiente"? Certo, não é tão simples de se estabelecer.
Mas hoje, parece que a falta de discernimento é tanta que quase TODOS se julgam gênios e, o pior: a maioria acredita.
Resta seguir na esperança de que a humanidade ainda consiga nos trazer mais surpresas que decepções.
1. Músico de grande talento; virtuoso. 2. Toda pessoa que domina em alto grau a técnica de uma arte. 3. Pej. Aquele que tem, em arte, habilidade meramente malabarística, destituída de sentimento, probidade interpretativa etc.
Não gosto do sentido pejorativo.
Alguns conceitos não deveriam jamais ser banalizados; perdem seu sentido... é uma pena.
Virtuose, por exemplo, é uma palavra que deveria ser conservada; destinada somente a quem verdadeiramente a merece. Qual é o critério para seu uso? Talvez, o conhecimento "suficiente" para se ter o mínimo de discernimento. Quanto de conhecimento é necessário, o que podemos considerar como "suficiente"? Certo, não é tão simples de se estabelecer.
Mas hoje, parece que a falta de discernimento é tanta que quase TODOS se julgam gênios e, o pior: a maioria acredita.
Resta seguir na esperança de que a humanidade ainda consiga nos trazer mais surpresas que decepções.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Fragmentos 050312
Às vezes, um anjo me concede um milagre: então, num segundo, reconheço alguém que não conheço.
Pra ti, escreveria um romance; mas já conheces o final...
A vida do instante é escapar o tempo todo pra se fazer presente.
Te escuto em cada palavra que não te escrevo.
Antes de deitar te observo: pareces um anjo na noite a semear canduras nos sonhos da gente...
domingo, 4 de março de 2012
Tentas
![]() |
Josh Holloway |
Tentas
esconder o fogo sob a pele
o brilho atrás da retina
o golpe que te fulmina
Tentas
driblar o gesto sem jeito
fingir que não é contigo
camuflar o riso incontido
Tentas
não deixar cair a máscara
não entregar o que está explícito
não cometer o ato ilícito
Mas é tudo em vão
Pois basta um olhar de esguelha
um triscar de pelo
um fiapo de cheiro
e não resistes:
me tentas
sábado, 3 de março de 2012
Fragmentos 030312
Segredo oculto não é pleonasmo, é situação: para ser segredo, ele tem que ter a possibilidade de ser revelado...
Tirei minha máscara de pessoa real; resolvi assumir a minha virtualidade.
De repente, me deparei com dois pontos: estranhamente, nada os explicava.
Não existe nenhuma cláusula contra a acentofobia?
Fiquei buscando coisas na memória, num tempo em que elas não existiam.
Existe alguma coisa mais sem sentido que uma palavra sem sentido?
Não tinha vergonha de ser feliz: ria sem nenhum dente na boca.
Se vazio não fosse nada, a gente não sentia.
Esse eu que não me responde, não sou eu.
Pensava nele de um jeito diferente... meio sem pensar.
Quando a gente pensa que acabou, vem o sol e nasce de novo. Incrível!
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Desperta
Quanto mais me enfio noite adentro, mais rarefeitos ficam os laços que me prendem ao óbvio. Solta, vou penetrando no impensável, bem fundo; mas, a um minuto do desenlace, durmo... e o mistério se renova implacável.
Amanheço sem chance, derrotada: mais uma noite vencida.
O milagre do dia me acena como um insulto e aproveito a provocação para reinventar a esperança.
Galgo a jornada como se fosse real: finjo que acredito nas manchetes, na história do padeiro, na minha imagem no espelho.
A tarde morna não passa.
Até que um “sopro” se aproxima sorrateiro... vem baixinho, sussurrando e, de repente, o desafio se agiganta na minha frente qual onda do mar triunfante: ou mergulho ou me engole.
Enfrento: me entrego à noite...
Ela me draga da inércia vespertina; a névoa do cotidiano se esvai aos poucos e, em meio à escuridão, reabro meus olhos de verdade.
Retomo meu sóbrio espanto diante do mundo; recobro os sentidos.
Enquanto a insônia iluminar a trilha que desbravo, sigo viagem dentro do infinito buraco negro.
Agora sim... silêncio!
Toda atenção é pouca, assim como toda gratidão à bênção:
a vida me deu mais uma chance.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Última sessão
![]() |
| Jean Dujardin e Bérénice Bejo |
Última sessão.
Dentro do cinema, só nós dois e o clarão da tela. A história se passou no teu olhar, a curva na tua mão. A cena permanecia suspensa pela calma do teu sorriso. A trilha sonora do filme coloria nosso silêncio, espaço de ternura. Nos embriagamos do perfume de ária antiga alimentada por todas as sessões de nostalgia dos tempos em que os namorados eternizavam seus amores. Indesvendável é o mistério que transmuta o presente em magia. Naquela noite, nos abraçamos para sempre.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Contaminação por www
O volume excessivo de informações descartáveis entupiu meus filtros de inconsistência; preciso urgente fazer uma incisão estratégica para drenar todo esse lixo, antes que minh'alma sucumba por septicemia verbal.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
sábado, 18 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Isto é só um blog, sem nenhuma pretensão
De tudo se pode fazer arte; mas achar que tudo é arte é equívoco.
Se tudo é arte, o conceito de arte perde o sentido.
Tudo é TUDO.
O conceito de arte é um dos mais difíceis de se definir (quem sou eu para fazê-lo?); mas, para mim, o que não transcende o trivial não passa de pretensão ingênua.
Se tudo é arte, o conceito de arte perde o sentido.
Tudo é TUDO.
O conceito de arte é um dos mais difíceis de se definir (quem sou eu para fazê-lo?); mas, para mim, o que não transcende o trivial não passa de pretensão ingênua.
É desolador se deparar com esta infinidade de pretensos artistas.
Viés
(Angelina Jolie)
Vivo esse instante trêmulo
um segundo antes da largada
um milímetro antes da chegada
um espasmo antes do desmaio
Vivo essa trégua falsa
o sono com um olho aberto
o passeio com passo incerto
o gole que não mata a sede
Vivo esse frio na espinha
de estar diante da cilada
de estar oculta na charada
e de soslaio sair impune
Vivo como a vida pede
de manhã preparando o bote
à tarde lançando a sorte
à noite driblando a morte
Vivo nesse viés
no intervalo que me suspende
no sopro que me arremessa
no suspiro que me salva
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Fragmentos 120212
Fingimos que nos acostumamos com a podridão, enquanto sonhamos com contos de fadas.
O que mais espanta hoje é a falta de espanto.
A morte faz parte da vida; e o dizemos como se pudéssemos encarar isso com naturalidade.
Ninguém quer saber de ti, imagem no espelho. Por que eu quereria?
O universo continua impávido a sua tresloucada trajetória; enquanto isso, no planetinha azul, o futebol segue dominando o domingo...
Afronto a solidão como quem indaga ao abismo: onde está o meu eco?
Estranho esse sabor de tarde nublada: a chatice não desgruda do céu da boca.
Fico aqui à espera de algum devaneio que me salve; ligo meus radares pra sentir qualquer resquício do teu cheiro.
Tem gente que nunca viu o teu olhar e pensa que sabe o que é delírio...
Momento do silêncio que liberta a voz
Each day I live
I want to be a day to give the best of me
I'm only one, but not alone
My finest day is yet unknown
I broke my heart for ev'ry gain
To taste the sweet, I face the pain
I rise and fall, yet through it all this much remains
I want
One moment in time
When I'm more than I thought I could be
When all of my dreams are a heart beat away
And the answers are all up to me
Give me one moment in time
When I'm racing with destiny
and in that one moment of time
I will feel, I will feel eternity
I lived to be the very best
I want it all, no time for less
I've laid the plans
Now lay the chance here in my hands
Give me
chorus
You're a winner for a lifetime
If you seize that one moment in time
Make it shine
Give me
chorus
I will be, I will be free
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